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terça-feira, 22 de abril de 2014

Aleluia! É Páscoa!



Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre
A festa da Páscoa marca a história do Povo de Deus. Fala de uma história de libertação e de vida: os escravos são libertos e os mortos são resgatados!

Na noite da Páscoa a comunidade cristã se reúne ao redor do fogo para cantar a vitória da vida sobre a morte, da libertação sobre a escravidão. Ao redor do fogo a comunidade canta: “Eis a noite, em que tirastes do Egito os nossos pais, os filhos de Israel, a quem fizestes transpor o Mar Vermelho a pé enxuto... Eis a noite em que o Cristo, quebrando os vínculos da morte, sai vitorioso do sepulcro... Noite em que o céu se une à terra, e o homem com Deus se encontra”.
O hino descreve duas etapas importantes da história do Povo de Deus. A primeira diz respeito à libertação do povo, sob a orientação de Moisés, das amarras do Egito; a segunda celebra a vitória de Cristo das amarras de morte.
A vitória do Cristo sobre a morte é narrada pelos quatro evangelistas. Expressa a realidade inusitada vivida por aqueles homens e mulheres, discípulos da primeira hora. Trata-se de uma experiência realizada pelos discípulos de Jesus, marcada por desconcertos, interrogações, saudade e incertezas. Marcados pela dor da morte, eles choram a ‘separação’ do Mestre. Eles não conseguem esquecer sua pessoa, sua pregação, seus feitos. Ao mesmo tempo, em diferentes situações e movimentos, eles vão percebendo que algo novo está acontecendo, que a presença do Senhor se faz sentir e ver de outro modo, que Ele está vivo. Ele continua falando-lhes. Concedeu-lhes a possibilidade de vê-Lo e tocá-Lo. Ele caminha e faz refeição com eles. Tudo isso diz de uma experiência totalmente nova, que ultrapassava os horizontes habituais da experiência e, não obstante, para os discípulos era totalmente nova e incontestável.
Já o fato inesperado da crucificação e morte fora difícil de ser assimilado; fora necessário reler as Escrituras de modo novo. Agora também o fato do reencontro com o Mestre precisa ser visto a partir de uma nova leitura da Escritura. As poucas testemunhas escolhidas falam de um acontecimento tão distinto e real, tão poderoso ao manifestar-se a elas que toda a dúvida se desvanecia. E elas, com uma coragem absolutamente nova, não tem medo de se apresentar à sociedade e ao mundo para proclamar: Cristo verdadeiramente ressuscitou!
Nós, os discípulos de hoje, damos fé ao testemunho dos discípulos de ontem. Como eles, também nós, hoje, somos convidados a, na comunidade e em comunidade, ler e re-ler as Escrituras. Assim, recordando os feitos do Senhor, retornando sempre e de novo às Escrituras, celebrando a Sagrada Liturgia, procurando fazer nossos os sentimentos Dele, pode ser que sejamos também nós tocados pela graça do Encontro com o Ressuscitado e, assim, possamos ‘ver’ a união de céu e terra, o encontro do homem e Deus, pois a graça da Páscoa expulsa o crime e lava as culpas, devolve a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos, dissipa o ódio, prepara a concórdia, desarma os impérios.
Feliz e abençoada Páscoa a todos!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O CICLO PASCAL


Tríduo Pascal

As NGALC apresentam o Tríduo Pascal da seguinte forma:
18. O sagrado Tríduo da Paixão e Ressurreição do Senhor é o ponto culminante de todo o ano litúrgico, porque a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus foi realizada por Cristo especialmente no seu mistério pascal, pelo qual, morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando restaurou a vida. A proeminência que na semana tem o domingo tem-na no ano litúrgico a solenidade da Páscoa.
19. O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor inicia-se com a Missa da Ceia do Senhor, tem o seu centro na Vigília Pascal e termina nas Vésperas do Domingo da Ressurreição.

Missa Vespertina da Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa)

A Missa vespertina da Ceia do Senhor assinala o início do Tríduo, na noite de quinta-feira santa. Note-se que a sexta-feira santa é o primeiro dia do Tríduo; a celebração vespertina da quinta-feira pertence já ao dia litúrgico da sexta-feira. Na tradição judaica, o dia começava ao anoitecer e a liturgia conservou esse modo de contar o tempo nos Domingos e solenidades. O mesmo acontece com a Vigília Pascal: é já a primeira celebração do Domingo de Páscoa. O Tríduo pascal é um verdadeiro tríduo: sexta-feira, sábado e domingo de Páscoa.

Historicamente, esta celebração é a última do Tríduo a aparecer: o primeiro testemunho que temos é do século IV, em Jerusalém. A missa vespertina da ceia do Senhor vai conhecendo progressivamente desenvolvimentos vários. Insere-se a trasladação do Santíssimo Sacramento e a desnudação do altar (este gesto prático, até ao século VII, fazia-se sempre que se celebrava a eucaristia, em qualquer dia; mais tarde, começou a ser interpretado simbolicamente, como figura de Cristo, despojado das suas vestes). Por fim, o gesto do lava-pés. Este gesto era conhecido em Jerusalém desde o século V. Daí irradiou para as outras liturgias, mas muitas conservam-no ainda hoje como gesto a realizar fora da eucaristia. Em Roma, foi inserido dentro da própria celebração eucarística.

A celebração tem carácter festivo. A Quaresma termina quando se inicia esta celebração. Por isso, se canta o hino de Glória e tocam campaínhas e sinos. Não se canta ainda o Aleluia porque este é o canto por excelência da ressurreição e se quer reservar para a Vigília Pascal.

A Missa vespertina da Ceia do Senhor não é nem mais nem menos que uma eucaristia celebrada com toda a dignidade e autenticidade, por se celebrar na noite em que Jesus instituiu a Eucaristia, foi entregue e preso. Contudo, deve ter-se sempre presente que a Eucaristia central, para a qual esta se orienta, é a da Vigília. A importância desta celebração da eucaristia é a sua ligação íntima com o mistério da entrega de Jesus, consumado em sexta-feira santa: esta celebração da quinta-feira santa comemora e antecipa no sacramento eucarístico o gesto de entrega cruento e dramático da Sexta-feira Santa.
“«Nesta Missa [...] a Igreja [...] propõe-se comemorar aquela última Ceia na qual o Senhor Jesus na noite em que ia ser entregue, tendo amado até ao fim os seus que estavam no mundo, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho, os entregou aos Apóstolos para que os tomassem, e lhes mandou, a eles e aos seus sucessores no sacerdócio, que os oferecessem também». Toda a atenção da alma deve estar orientada para os mistérios, que sobretudo nesta Missa são recordados, a saber, a instituição da Eucaristia, a instituição da Ordem sacerdotal e o mandamento do Senhor sobre a caridade fraterna: tudo isto seja explicado na homilia.” (Carta circular n. 44-45: EDREL 3154-3155)

Ora, são estes temas que aparecem quer nas leituras, quer nas orações da missa vespertina da ceia do Senhor. Os textos bíblicos e das orações realçam que Cristo, com a instituição da Eucaristia, nos faz participar na sua Páscoa, na sua Paixão, morte e ressurreição; sublinham a instituição do sacerdócio, sem o qual não há Eucaristia; e sublinham ainda o nexo existente entre a celebração da Eucaristia e a caridade fraterna.

Para o momento da apresentação dos dons, o Missal Romano prevê que se faça procissão dos dons e que nela se incluam ofertas dos fiéis para os pobres. A acompanhar tal procissão, excepcionalmente, o Missal propõe um cântico: o hino Ubi Caritas (ou em Português Onde haja caridade e amor, Onde há caridade verdadeira).

Esta celebração é ainda marcada pela solene trasladação do Santíssimo Sacramento para um lugar conveniente: “Terminada a oração depois da Comunhão, organiza-se a procissão, com círios e turíbulo fumegante, indo à frente o cruciferário, e leva-se o Santíssimo Sacramento, através da igreja, para o lugar da reposição” (Carta Circular n. 54: EDREL 3164). Os fiéis são convidados a ficar em adoração durante algum tempo.

Terminada a celebração, desnuda-se o altar, porque a Eucaristia só voltará a celebrar-se naquele altar na Vigília Pascal.

Celebração da Paixão do Senhor - Sexta-feira Santa

A Sexta-feira Santa é um dia inteiramente centrado na Cruz e na morte de Cristo. É um dia alitúrgico: dia em que não se celebra a Eucaristia e que nunca conheceu celebração eucarística. Aliás, na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo não há celebração de nenhum sacramento, com excepção da Penitência e Unção dos doentes: É estritamente proibido celebrar neste dia qualquer sacramento, excepto os da Penitência e da Unção dos doentes (Carta circular 61: EDREL 3171). A principal celebração da Sexta-feira Santa – a celebração da paixão - é, fundamentalmente, uma ampla Liturgia da Palavra, que culmina com a adoração da Cruz e termina com a Comunhão. É importante ter esta estrutura presente, para percebermos o que é mais importante: a leitura da Palavra de Deus, sobretudo da Paixão, e a adoração da Cruz.

Ao contrário do que se diz com frequência, este não é o dia de luto pela morte de Cristo. “Neste dia, em que «Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado», a Igreja, meditando a Paixão do seu Senhor e Esposo e adorando a Cruz, comemora o seu nascimento do lado de Cristo que repousa na Cruz, e intercede pela salvação do mundo inteiro” (Carta circular n. 58: EDREL 3168). Este é o dia da contemplação do amor de Deus pela humanidade e do extremo a que esse mesmo amor levou Jesus Cristo. A morte de Cristo celebra-se sempre na perspectiva da ressurreição: é a morte do Ressuscitado que celebramos, motivo pelo qual falar de luto é inadequado.

 “Recomenda-se a celebração comunitária do Ofício de leitura e das Laudes matutinas na Sexta-feira da Paixão do Senhor” (Carta circular n. 40: EDREL 3150). Depois, pelas 3 horas da tarde ou a outra hora conveniente, faz-se a solene celebração da paixão do Senhor.

A entrada faz-se em silêncio. Não há cântico de entrada nem qualquer outra palavra antes da oração colecta: “O sacerdote e os ministros dirigem-se para o altar em silêncio, sem canto. No caso de haver alguma palavra de introdução, deve ser dita antes da entrada dos ministros. O sacerdote e os ministros, feita a devida reverência ao altar, prostram-se; esta prostração, que é um rito próprio deste dia, conserve-se diligentemente” (Carta circular n. 65: EDREL 3175). No entanto, em vez da prostração, pode optar-se pela oração de joelhos, se parecer mais conveniente. Quanto à comunidade, permanece de pé durante a procissão de entrada e ajoelha-se em oração quando o sacerdote se prostra ou ajoelha (cf. Carta circular n. 65: EDREL 3175).

Segue-se a liturgia da Palavra, centrada na leitura da Paixão e morte de Jesus, segundo S. João. Este é o elemento central e fundamental da celebração de Sexta-feira Santa: a proclamação da Palavra de Deus. “A acção litúrgica da Sexta-feira da Paixão do Senhor atinge o seu ponto culminante no relato, segundo São João, da Paixão d’Aquele que, como o Servo do Senhor anunciado no livro de Isaías [1ª leitura], Se tornou realmente o único sacerdote, oferecendo-Se a Si mesmo ao Pai” (OLM 99).

A Oração Universal é o último momento da Liturgia da Palavra propriamente dita. Trata-se da forma mais antiga da oração dos fiéis na liturgia romana, mas só se conservou neste dia. Esta oração faz-se do seguinte modo: “o diácono, se está presente, ou, na falta dele, um ministro leigo, do ambão diz a exortação com que é indicada a intenção da oração. Em seguida, todos oram em silêncio durante uns momentos. Finalmente, o sacerdote, da sua sede, ou, conforme as circunstâncias, do altar, diz, de braços abertos, a oração” (Missal).

Segue-se a veneração da Cruz, que surge como resposta plástica e gestual de toda a assembleia à proclamação da Paixão. Esse gesto não é de adoração de um símbolo de morte, mas adoração de Cristo, vencedor da morte. Neste ponto, a reforma litúrgica introduziu uma mudança: onde antes havia um único modo de apresentação da cruz, descobrindo-a progressivamente, agora figura uma alternativa: fazer a apresentação da cruz já descoberta, partindo do fundo da igreja para o presbitério. “Apresente-se a Cruz à adoração dos fiéis um por um, porque a adoração pessoal da Cruz é um elemento muito importante nesta celebração e só devido a grande afluência do povo se deve usar o rito da adoração feita simultaneamente por todos. A Cruz exposta à adoração deve ser uma só, tal como o requer a verdade do sinal” (Carta circular n. 69: EDREL 3179). Durante a adoração, cantam-se os impropérios, hinos ou outros cantos apropriados. Estes cantos surgiram, na liturgia romana, a partir do século VIII e conservaram-se até à actualidade.

O rito da comunhão, neste dia, deverá ser muito simples e discreto. O altar está despido e só neste momento é coberto com a toalha. O Missal Romano diz que se pode cantar um cântico que acompanhe a Comunhão dos fiéis. Mas pode também optar-se pelo silêncio.

Não há cântico final: tal como a entrada, a saída é também em silêncio.


Sábado Santo
         
O sábado santo, tal como a sexta-feira santa, é um dia dito “alitúrgico”, isto é, sem celebração da Eucaristia ou de outros sacramentos:    Neste dia a Igreja abstém-se absoluta-mente do sacrifício da Missa. A sagrada Comunhão só pode ser dada como Viático. Não é permitida a celebração do matrimónio nem dos outros sacramentos, excepto os da Penitência e da Unção dos doentes. (Carta circular n. 75: EDREL 3185). As várias horas da oração da Igreja convidam a contemplar o repouso de Cristo no sepulcro, na expectativa da celebração da sua ressurreição. Recomenda-se muito a celebração do Ofício de leitura e das Laudes matutinas com a participação do povo. Onde isso não for possível, prepare-se uma celebração da palavra de Deus ou um exercício de piedade adequado ao mistério deste dia (Carta circular n. 73: EDREL 3183).
         
Este é o dia do “grande silêncio”. A leitura patrística do Ofício de Leitura do Sábado Santo começa assim: “Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há século”. O que mais chama a atenção é precisamente o aparente “vazio” deste dia: o silêncio dos sinos, o silêncio dos cânticos, os altares nus, os sacrários abertos e vazios, a ausência de celebrações... “No Sábado Santo, a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte, e na sua descida aos infernos, e esperando na oração e no jejum a sua Ressurreição” (Carta circular n. 73: EDREL 3183).

A Igreja vive o silêncio do Sábado Santo, preparando-se assim para a festiva celebração da Vigília Pascal, da ressurreição do Senhor.


Domingo da Páscoa - Vigília Pascal

A Vigília Pascal, na noite santa em que o Senhor ressuscitou, é considerada como “a mãe de todas as santas vigílias”, na qual a Igreja espera em vigília a ressurreição de Cristo e a celebra nos sacramentos. Por conseguinte, toda a celebração desta sagrada Vigília deve fazer-se durante a noite, de modo que ou comece depois do anoitecer ou termine antes da aurora do domingo (NGALC 21).

Esta é a noite mais importante de todo o Ano Litúrgico. O símbolo da luz, a Palavra, a água baptismal e o pão e o vinho eucarísticos, anunciados na Quaresma, alcançam a sua realização nesta noite pascal. Não foi por acaso que a renovação litúrgica, mesmo antes do Concílio, começou precisamente com a reforma e renovação da Vigília Pascal, que estava muito descaracterizada. Actualmente, a estrutura da celebração, muito simplificada e expurgada de elementos estranhos, consta de quatro grandes momentos: - Liturgia da Luz; - Liturgia da Palavra; - Liturgia Baptismal; - Liturgia Eucarística.

Todos estes momentos são importantes, mas nem todos têm a mesma importância. É fundamental que a Vigília decorra em crescendo, orientando-se toda a celebração para o ponto máximo: a Liturgia Eucarística. Deverá ser na Liturgia Eucarística, ponto alto da celebração, que a celebração permitirá a explosão jubilosa de alegria pascal.

Historicamente, a Vigília Pascal foi a primeira celebração do Tríduo a ser organizada pela comunidade cristã, como uma noite de vigilância, em oração e escuta da Palavra, concluindo com a celebração da Eucaristia. Nos primeiros séculos, esta Vigília era composta por três momentos principais: uma abundante liturgia da Palavra, a liturgia baptismal e a liturgia eucarística. A estes elementos fundamentais acrescentaram-se, posteriormente: a bênção do lume ou fogo e a procissão com o Círio e o canto do laus cerei.

A celebração desta Vigília sofreu, ao longo dos séculos, uma clara decadência. Basta recordar que, até que Pio XII empreendesse a reforma da Semana Santa, a Vigília celebrava-se na manhã de Sábado Santo. Já a partir do século VII que, em Roma, a Vigília se celebrava na tarde do sábado, procurando-se, porém, que a liturgia eucarística tivesse lugar já noite; porém, o início da Vigília, com o rito do Círio, fazia-se em pleno dia. A tendência a antecipar para a manhã as celebrações eucarísticas, por causa do jejum, agravou a situação. Mais tarde, já no período moderno, Urbano VIII suprimiu a Vigília do número das festas de preceito, manifestando a completa perda da consciência da importância e especificidade desta celebração. Não admira, pois, a dificuldade sentida hoje em revalorizar a Vigília: pesam sobre nós séculos de uma prática diferente, na qual a Vigília não tinha, efectivamente, importância. Foi o Papa Pio XII que, em 1951, restituiu a Vigília Pascal ao seu lugar primitivo: a noite de sábado para domingo.

A hora: «Toda a celebração da Vigília Pascal se faz de noite, mas de maneira a não começar antes do início da noite e a terminar antes da aurora do domingo». Esta regra deve ser interpretada estritamente. Qualquer abuso ou costume contrário, que vai surgindo por aqui e ali, de celebrar a Vigília Pascal nas horas para as quais é costume antecipar as Missas dominicais, deve ser reprovado (Carta circular 78: EDREL 3188).

1. Liturgia da luz
A Vigília inicia-se com a bênção do fogo, no qual se acende o Círio Pascal, símbolo de Cristo ressuscitado. O Círio é solenemente apresentado e é ele que guia e ilumina a entrada da comunidade na igreja. Segue-se o Precónio Pascal.  Antes de mais, as designações:
-        Exsultet : (Alegre-se, exulte) é a primeira palavra do Precónio Pascal (Exsultet iam angelica turba caelorum - «alegre-se a multidão celeste dos anjos»)
-        Também se chama «Precónio Pascal». Do latim, præ-conium, anúncio solene ou pregão de um acontecimento importante, proclamado diante da comunidade.
            De autor desconhecido, deve ser da primeira metade do século IV, porque já é citado por Santo Ambrósio, São Jerónimo e por Santo Agostinho. É um hino de louvor à noite, a Cristo, ao Círio. É como um lucernário gozoso ou um Prefácio solene da grande Festa Pascal, cheio de lirismo, convidando à alegria e ao louvor, pelo que esta noite significa para a comunidade cristã. É a noite em que Deus tirou os Israelitas da escravidão do Egipto. E, sobretudo, a noite do êxodo e libertação verdadeiros, realizados por Cristo para todos nós. Noite ditosa, iluminada pela Luz que é Cristo. O Círio é o símbolo simples e expressivo da festa pascal, em que todos participam da libertação salvadora da Páscoa. O Precónio canta-se solenemente, na sua versão mais longa ou na abreviada, do ambão – reservado, normalmente, para a Palavra revelada de Deus – depois de ter incensado o Círio. A comunidade escuta-o com as velas, acesas no Círo Pascal, na mão. «As Conferências Episcopais podem introduzir no Precónio certas aclamações para serem ditas pelo povo» (Carta circular 84: EDREL 3194).

2. Liturgia da Palavra
A liturgia da Palavra da Vigília tem um carácter eminentemente baptismal: falam-nos da criação e da promessa da nova criação, figuras do Baptismo; falam-nos do homem novo; apresentam-nos o Baptismo como participação pessoal na paixão, morte e ressurreição de Cristo.
O rito renovado da Vigília tem sete leituras do Antigo Testamento, tomadas dos livros da Lei e dos Profetas, já utilizadas com frequência pela mais antiga tradição tanto oriental como ocidental, e duas do Novo Testamento, tomadas das Cartas dos Apóstolos e do Evangelho. Assim a Igreja, «começando por Moisés e seguindo pelos Profetas», interpreta o mistério pascal de Cristo. Portanto, na medida em que for possível, leiam-se todas as leituras de modo que se respeite completamente a natureza da Vigília Pascal, que exige uma certa duração. Todavia, onde as circunstâncias de natureza pastoral exigem que se reduza ainda o número das leituras, leiam-se pelo menos três do Antigo Testamento, a saber, dos livros da Lei e dos Profetas; nunca se deve omitir a leitura do capítulo 14 do Êxodo, com o seu cântico. (Carta circular 85: EDREL 3195).

A Liturgia da Palavra desta celebração é particularmente rica e abundante. Depois de cada leitura do A.T., há um Salmo e uma oração. Os Salmos deveriam ser cantados.

Depois da última leitura do A.T. e antes da Epístola, canta-se o Glória. É de toda a conveniência que seja cantado este hino e cantado na totalidade. Durante o canto podem tocar-se campainhas e os sinos.

Depois da Epístola, canta-se o Aleluia pascal. É necessário dar-lhe um relevo especial, uma vez que esteve ausente da Liturgia na Quaresma. Este é o canto por excelência da Páscoa, que deve, por isso, merecer uma atenção especial. O Missal Romano determina que seja cantado três vezes e em crescendo, para lhe dar maior realce.


3. Liturgia Baptismal
Quer haja celebração de baptismos, quer não, a Vigília Pascal tem sempre uma liturgia baptismal. Quando não há baptismos, a assembleia faz a renovação das promessas baptismais.
Esta é uma celebração toda ela de carácter profundamente baptismal. O nome mais antigo do Baptismo é “iluminação”; ora é com a liturgia da luz que a celebração se inicia. A liturgia da Palavra fala-nos do Baptismo. O terceiro momento da celebração é precisamente uma liturgia baptismal. A liturgia eucarística, se houver baptismos, é a primeira participação dos neófitos na Eucaristia (se são adultos), completando assim a sua iniciação cristã. O Baptismo “é a própria páscoa do cristão (...) O Baptismo é uma libertação paralela à do êxodo e à do Gólgota, cuja eficácia salvífica desdobra e transmite”[1]. A oração de bênção da água da fonte baptismal sublinha esta perspectiva, dizendo: “Desça sobre esta água, Senhor, por vosso Filho, a virtude do Espírito Santo, para que todos, sepultados com Cristo na sua morte pelo Baptismo, com Ele ressuscitem para a vida” (Ritual Romano - Celebração do Baptismo, 54).

4. Liturgia Eucarística
A Eucaristia é o sacramento fundamental e central na vida da Igreja e na existência cristã. Nela se “actualiza continuamente o mistério pascal de Cristo entre os homens” (Preliminares do Ritual da sagrada Comunhão e culto do mistério eucarístico fora da Missa 23: EDREL 778). A Eucaristia é, por excelência, o memorial do Mistério Pascal, como sublinham os documentos do Magistério (cf. SC 6, é apenas um exemplo). Diz o Proémio da IGMR: “Para além da diferença no modo como é oferecido, existe perfeita identidade entre o sacrifício da cruz e a sua renovação sacramental na Missa”. “A Eucaristia é a Páscoa, e a Páscoa é a Eucaristia” (H. Jenny).
A celebração da Eucaristia é a quarta parte da Vigília e o seu ponto culminante, dado que é, do modo mais pleno, o sacramento pascal, ou seja, memorial do sacrifício da Cruz e presença de Cristo ressuscitado, consumação da iniciação cristã e antegozo da Páscoa eterna. Esta Liturgia eucarística, não deve celebrar-se apressadamente (Carta circular 90-91: EDREL 3200-3201).

Domingo de Páscoa da Ressurreição

A Missa do dia de Páscoa deve ser celebrada com grande solenidade. Em vez do acto penitencial, é conveniente fazer hoje a aspersão com a água benzida durante a celebração da Vigília. Durante a aspersão deve cantar-se a antífona «Vidi aquam» ou outro cântico de carácter baptismal (Carta circular 97: EDREL 3207).

Conserve-se, onde está em vigor, ou restaure-se onde for oportuno, a tradição de celebrar as Vésperas baptismais do dia de Páscoa, durante as quais, ao canto dos salmos, se vai em procissão até à fonte baptismal (Carta circular 98: EDREL 3208).


Tempo Pascal

O Tempo Pascal é o prolongamento do terceiro dia do Tríduo Pascal, o Domingo da Ressurreição, prolongamento que se estende por oito Domingos, uma verdadeira oitava de Domingos. É o espaço de 50 dias, o «laetissimum spatium», o tempo da grande alegria (TERTULIANO, De Bapt. 19, 2).

O Tríduo Pascal é o centro do Ano Litúrgico. A intensidade do que viveu e celebrou não pode, por isso, reduzir-se a esses dias. Daí que, desde muito cedo, antes ainda se existir uma Quaresma de preparação, a Igreja criou um tempo festivo que prolonga a festas pascais por cinquenta dias. “Os cinquenta dias que se prolongam desde o Domingo da Ressurreição até ao Domingo do Pentecostes celebram-se na alegria e exultação como um único dia de festa, melhor, como «um grande Domingo». São os dias em que de modo especial se canta o Aleluia” (22). Os Domingos deste tempo são chamados Domingo II, III, IV, V, VI e VII da Páscoa (23). Na cinquentena pascal são de destacar: a semana que se seque ao Domingo da Ressurreição, que constitui a Oitava da Páscoa (24); no quadragésimo dia – ou o Domingo VII da Páscoa – celebra-se a Ascensão do Senhor (25); o último dia da cinquentena pascal é o Domingo do Pentecostes (23). Convém sublinhar que Ascensão e Pentecostes não são duas festas autónomas, mas sim parte integrante do Tempo Pascal, como duas dimensões fundamentais do mistério pascal.

“Até ao terceiro Domingo da Páscoa, as leituras do Evangelho relatam as aparições de Cristo ressuscitado. As leituras do Bom Pastor estão atribuídas ao quarto Domingo da Páscoa. Nos Domingos quinto, sexto e sétimo da Páscoa há passagens do discurso e da oração do Senhor depois da última Ceia. A primeira leitura toma-se dos Actos dos Apóstolos, no ciclo dos três anos (...) Como leitura apostólica, lê-se no ano A a primeira Epístola de São Pedro, no ano B a primeira Epístola de São João, no ano C o Apocalipse” (OLM 100).

O Tempo da Páscoa deve ser vivido “como um único dia de festa” ou como «um grande Domingo»: é fundamental recuperar a unidade deste tempo litúrgico. A Ascensão e o Pentecostes são parte integrante do Tempo da Páscoa, como dimensões fundamentais do Mistério Pascal.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Programação da Semana Santa 2014

Querido irmãos, lanço hoje neste blog a programação para a Semana Santa 2014, no Oratório Sagrada Família de Nazaré. Essa programação, é uma programação particular, mas que acolhe visitantes. Particular, pois além dela temos a programação a nivel paroquial, essa programação é um extra, posso assim dizer, para bem vivenciarmos a Semana Maior. 


SEMANA SANTA 2014

  • Dia 13/04 Domingo de Ramos da Paixão, Oração das Laudes ás 05:30, Paraliturgia ás 10:30.
  • Durante toda a Semana Santa Oração das Laudes ás 07hs.
  • Dia 17/04 Quinta-feira Santa, Oração das Laudes 07hs e Vésperas 16:30, Paraliturgia de Lava pés 15hs.
  • Dia 18/04 Sexta-feira Santa: Oração das Laudes 08hs, Celebração da Paixão 10hs, Meditação das Sete Palavras de Jesus na cruz e Santo Enterro ás 22:30.
  • Dia 19/04 Sábado Santo: Oração das Laudes 08:30, Filme “A Paixão de Cristo” ás 10hs, Vésperas ás 16hs.
  • Dia 20/04 Domingo da Ressurreição: 07hs Oração das Laudes, 12hs Regina Caeli, 16:30 Vésperas Solene.
  • Dia 21/04 Paraliturgia Solene de Páscoa 19hs

Vivamos bem cada acontecimento, para que no futuro, possamos colher os frutos do que plantamos!
A Todos Uma Santa Semana Santa!

Matheus Pinto
FUNDADOR
DA C. C. F. M. P
Altar-Sede
Vésperas Solenes do Domingo de Ramos
12/04/2014

Preparação litúrgica da Semana Santa

O que a Igreja nos convida a vivenciar na Semana Santa?    


cruz - semana santa


No Domingo de Ramos, inicia-se a Semana Santa. O povo antigo, com os ramos nas mãos, visitam as comunidades, aclamando Jesus Rei do universo. Jesus, que traz nova esperança, é o Messias ungido do Pai, Aquele que veio para nos resgatar para o amor de Deus.
Na Quinta-Feira Santa, pela manhã encerramos o tempo da Quaresma e toda comunidade cristã é convida a se dirigir para sua catedral, a sede da diocese. Lá, então, é celebrada a Missa crismal, na qual todo o povo de Deus, com os seus pastores, em torno do mesmo altar, celebram a Eucaristia da unidade, celebração em que se realiza a bênção dos santos óleos, que serão depois utilizados nos sacramentos da Ordem, do Crisma e do Batismo.
À noite, na Missa de Lava-Pés, inicia-se o Tríduo Pascal. Celebramos o mandamento novo: amai-vos uns aos outros, a instituição da Eucaristia e também a do sacerdócio; três momentos que fazem parte de nossas experiências de vida cristã, e, assim, damos início àquilo que iremos celebrar durante três dias e que chamamos de Tríduo Pascal: a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
Na Sexta-Feira Santa, somos chamados a meditar sobre a dimensão da morte para reconhecer que somos pequenos diante da grandiosidade do amor de Deus. Mas Deus, que tanto nos ama, nos ensina a contemplar, na cruz, não tanto o ato de sacrifício, mas o amor Dele entregue por toda a humanidade, para que todos tenham vida em abundância.
Na morte de Jesus, podemos contemplar a morte de uma vida de pecado para ressurgirmos para uma vida nova em Cristo Jesus.
Na Vigília Pascal, nós celebramos o ápice desses três dias em que tivemos reunidos, é o encerramento de tudo aquilo que começou na Quinta-Feira Santa. Celebramos a Ressurreição do Senhor! É isso que proclamamos! A pedra do túmulo rolou, o Senhor ressuscitou, nosso Deus não é um Deus dos mortos, mas é o Deus dos Vivos, e, para celebrar bem esta dimensão da ressurreição, vivenciamos quatro momentos:
Primeiro nos reunimos fora da igreja e damos a bênção do fogo novo, que, depois de abençoado, acende o Círio Pascal. Se nos voltarmos para o Antigo Testamento, recordamos que uma coluna de fogo guiava o povo que buscava a terra da libertação. Agora, no Novo Testamento, é o próprio Cristo que é a coluna, é Ele quem ilumina o caminho, é Ele que vai à nossa frente nos animando e nos encorajando para que o Reino do Pai aconteça em nosso meio.
No segundo momento, realiza-se a Liturgia da Palavra. Nela, revivemos toda a história da salvação, como a mão de Deus foi trabalhando na história para que todos pudessem ter vida e vida em abundância. Essa história atinge a sua plenitude no Cristo, que vem ao nosso encontro para nos revelar esta vida nova. E, por meio da sua Ressurreição, promete a cada um de nós que ressuscitaremos e estaremos todos juntos na casa do Pai
Na terceira parte da Vigília Pascal, passamos para a liturgia batismal, momento em que renovamos nossas promessas batismais. Como batizados, temos a missão de testemunhar tudo aquilo que celebramos na Liturgia da Palavra; por isso, nesse momento relembrando a tradição antiga cristã, muitos que foram preparados durante a Quaresma recebem o Sacramento do Batismo e são acolhidos pela comunidade.
No quarto momento, passa-se para a Liturgia Eucarística, pois não caminhamos sozinhos sem nos alimentarmos. A Eucaristia, então, é o alimento, é o Senhor que se faz pão, se faz vida e vem ao nosso encontro para nos encarajar na tarefa missionária de dar testemunho da sua ressurreição, repetindo o que São Paulo já ensinava: "Vã seria a nossa fé se o Senhor não tivesse ressuscitado". É esta verdade que proclamamos.
Depois de três dias celebrando a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, chegamos ao Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor, momento em que a comunidade é convidada a viver aquilo que celebramos na Vigília Pascal, ou seja, dar testemunho de que Jesus está vivo entre nós.
Por isso, o Evangelho desse dia vai nos narrar a Ressurreição: as mulheres que vão ao encontro de Jesus no túmulo e, quando chegam lá, Ele não está, e saem numa alegria incontida para proclamar que Ele ressuscitou.
Feliz Páscoa!!! Feliz Páscoa do Senhor!!!

TERCEIRA TARDE DE LOUVOR COM A MÃE PURÍSSIMA!

"Nós amamos porque primeiro Deus nos amou!" (1Jo 4, 19) Abrimos o mês da Bíblia com a Terceira Tarde de Louvor com a Mãe Puríss...