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terça-feira, 29 de abril de 2014

COMUNIDADE CRISTÃ, DOM DO ESPÍRITO SANTO!



Aqueles que verdadeiramente fazem a experiência da realidade do Espírito são levados a descobrir a realidade da comunidade cristã assim como o fizeram os primeiros cristãos.
Jesus havia anunciado não somente o que deve ser a “comunhão” entre os cristãos na parábola da Vida (Jo 15) mas ainda orou por essa unidade vivida entre os cristãos (Jo 17, 20-23).
Após Pentecostes, esta comunhão, esta comunidade, se realiza sob a ação do Espírito. Só Ele pode criar uma comunidade cristã. Só Ele põe os cristãos em comunhão uns com os outros numa relação vital. É o seu papel próprio. Pode-se assim dizer: Pentecostes é o nascimento de uma COMUNIDADE CRISTA; em outras palavras, o nascimento da Igreja.
Encontramos nos Atos três descrições da primeira comunidade cristã, mas na verdade é preciso ler e reler as cartas dos Apóstolos para fazer uma idéia completa da vida das primeiras comunidades. Mas os três textos seguintes são um ponto de partida para nossa reflexão.
Ei-los:
At 2, 42-47: “Eles se mostravam assíduos aos ensinamentos dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. O temor se apossava de todos os espíritos, porque numerosos eram os prodígios e sinais realizados pelos Apóstolos. Todos os fiéis, unidos, tinham tudo em comum; vendiam as suas propriedades e os seus bens e dividiam o preço entre todos, segundo as necessidades de cada um.
Dia após dia, unânimes, freqüentavam assiduamente o Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam do favor de todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava à comunidade os que seriam salvos”.
At 4, 32-37: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava seu o que possuía, mas tudo era comum entre eles. Com muito vigor, os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E todos eles tinham grande aceitação. Não havia entre eles indigente algum, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, traziam o dinheiro e o colocavam aos pés dos Apóstolos; e distribuía-se a cada um segundo a sua necessidade.
José, denominado Barnabé pelos apóstolos, o que quer dizer filho de exortação, levita originário de Chipre, possuía um campo; ele o vendeu e trouxe o dinheiro para depô-lo aos pés dos apóstolos”.
At 5, 12-16: “Pelas mãos dos apóstolos faziam-se numerosos sinais e prodígios no meio do povo…
Todos permaneciam unidos, no pórtico de Salomão, e nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo celebrava os seus louvores. Aderiam ao Senhor fiéis em número cada vez major, uma multidão de homens e de mulheres.
…a ponto de serem os doentes transportados para as praças e depostos lá em leitos e catres, afim de que, ao passar Pedro, ao menos sua sombra cobrisse alguns deles.
A multidão acorria mesmo das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e atormentados de espíritos impuros, e todos eram curados”.
Uma frase nos dá as duas linhas de força da “Koinonia”. “Eles se mostravam assíduos aos ensinamentos dos apóstolos e à comunhão fraterna.”
Vamos apresentar esta palestra em 5 pontos:
1. Em que consistia a comunidade
2. Papel dos carismas na comunidade
3. Os frutos do Espírito na comunidade
4. As reuniões da comunidade
5. 0 crescimento da comunidade: o testemunho.
1º) Em que consistia a comunidade
a) Comunhão quer dizer adesão ao ensino dos Apóstolos.
Este ponto é capital. A unidade não pode ser criada e mantida se não há fidelidade à fé, obediência à fé. Os apóstolos eram as testemunhas e transmitiam o que haviam visto e ouvido: “o que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam da palavra da vida – porque a vida manifestou-se: nós vimos e damos testemunho e vos anunciamos esta Vida eterna” (1 Jo l’ 1-2).
Paulo era formal sobre este ponto, ele que, após a visão no caminho para Damasco, poderia tão facilmente ter formado sua pequena seita. Eis seu testemunho: “Estais edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, do qual é Cristo Jesus a pedra angular. Nele bem articulado, todo o edifício se ergue em santuário sagrado, no Senhor, e vós, também, nele sois co-edificados para serdes uma habitação de Deus, no Espírito” (Ef 2, 20-22).
Paulo vai à assembléia de Jerusalém para estar em comunhão de doutrina com os Apóstolos; para dizer-lhes que prega o mesmo Evangelho: “Pois aquele que estava operando em Pedro para a missão dos circuncisos operou também em mim em favor dos gentios – e conhecendo a graça a mim concedida, Tiago, Cafas e João, todos como colunas, estenderam-nos a mão, a mim e a Barnabé, em sinal de comunhão; nós pregaríamos aos gentios e eles para a Circuncisão; nos só nos devíamos lembrar dos pobres, o que, aliás, tenho procurado fazer com solicitude” (Gál 2, 8-10).
Aos Coríntios ele escreveria: “Por conseguinte, tanto eu como eles, eis o que pregamos. Eis também o que acreditastes” (1 Cor 15, 11).
b) Comunhão quer dizer ter um só coração, uma só alma
Paulo insistia a tempo e a contratempo para que se guardasse a unidade no Cristo. Esta unidade no Cristo suplanta todas as divergências, todas as diferenças de raças, de cultura: é fazer-se em comum a experiência da comunhão em Jesus Cristo. Existem numerosas expressões paulinas desta comunhão fraterna. Eis três:
- Flp 2, 1-5: “Portanto, pelo conforto que há em Cristo, pela consolação que há no Amor, pela comunhão do Espírito, por toda ternura e compaixão, levais à plenitude minha alegria, pondo-vos acordes no mesmo sentimento, no mesmo amor, numa só alma, num só pensamento, nada fazendo por competição e vanglória, mas com humildade, julgando cada um os outros superiores a si mesmo, nem cuidando cada um só do que é seu, mas também do que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus”.
A unidade vai ao ponto de terem entre si os mesmos sentimentos que Jesus.
- “Eu vos exorto, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, a andardes de modo digno da vocação com que fostes chamados: com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação com que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4, 1-6).
Paulo não podia suportar os que queriam ter sua própria igrejinha.
“Eu vos exorto, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo: guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós; sede estreitamente unidos na mesma inteligência e no mesmo modo de pensar. Com efeito, meus irmãos, pessoas da casa de Cloé me informaram de que existem rixas entre vós. Explico-me: cada um de vós diz: “Eu sou de Paulo!” ou “Eu sou de Apolo!” ou “Eu sou de Cefas!” ou “Eu sou de Cristo!”. Cristo estaria dividido? Paulo terá sido crucificado em vosso favor? Ou fostes batizados em nome de Paulo?” (1 Cor 1, 10-13).
2º) Papel dos carismas na comunidade
- Para começar, que é um carisma? É algo gratuito: é um dom do Amor de Deus a seus filhos. (Ler a este respeito o artigo do Pe. Lebeau na “Revue Magnificat” nº 2, abril de 1974.)
- Estes dons espirituais são dados para edificar, construir a comunidade. “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria, a outro a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro o poder de fazer milagres; a outro a profecia; a outro o discernimento dos espíritos; a outro o dom de falar em línguas; a outro ainda o dom de as interpretar. Mas, isso tudo, é o único e mesmo Espírito que o realiza, distribuindo a cada um os seus dons, conforme lhe apraz” (1 Cor 12, 4-11).
Paulo deseja que os cristãos não fiquem na ignorância a respeito dos carismas: 1 Cor 12, 1: “A propósito dos dons do Espírito, irmãos, não quero que estejais na ignorância”.
- É preciso mesmo pedi-los, aspirar a eles. É perfeitamente normal em uma comunidade cristã. Toda comunidade cristã deve ser carismática; isto é, os dons espirituais devem normalmente aí se manifestar; o contrário seria anormal.
Procurai a caridade. Entretanto, aspirai aos dons do Espírito, principalmente a profecia” (1 Cor ’14, 1 ).
“É por isto que aquele que fala em línguas, deve orar para poder interpretá-las. Se oro em línguas o meu espírito está em oração, mas a minha inteligência nenhum fruto colhe. Que fazer, pois? Orarei com o meu espírito, mas hei de orar também com a minha inteligência. Cantarei com o meu espírito, mas cantarei também com a minha inteligência. Com efeito, se deres graças apenas com teu espírito, como poderá o ouvinte não iniciado dizer “Amém” à tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? Sem dúvida, a tua ação de graças é valiosa, mas o outro não se edifica. Dou graças a Deus por falar em línguas mais do que todos vós. Mas numa assembléia prefiro dizer cinco palavras com a minha inteligência, para instruir também os outros, a dizer dez mil palavras em línguas.
Irmãos, quanto ao modo de julgardes, não sejais como crianças; quanto à malícia, sim, sede crianças, mas, quanto ao modo de julgar, sede adultos. Está escrito na Lei: falarei a esse povo por homens de outras línguas e por lábios estrangeiros, e mesmo assim não me escutarão, diz o Senhor. Por conseguinte, as línguas são um sinal não para os que crêem, mas para os que não crêem. A profecia, por sua vez, não é para os infiéis, mas para os que crêem. Se, por exemplo, a Igreja se reunir e todos falarem em línguas, os indoutos e os incrédulos que entrarem não dirão que estais loucos? Se, ao contrário, todos profetizarem, o incrédulo ou o indouto que entrar, há de se sentir argüido por todos; os segredos do seu coração serão desvendados; prostrar-se-á com o rosto por terra, adorará a Deus e proclamará que Deus está realmente no meio de vós.
Que fazer, pois, irmãos? Quando estais reunidos, cada um de vós pode cantar um cântico, proferir um ensinamento ou uma revelação, falar em línguas ou interpretá-las; mas que tudo se faça para a edificação! Se há quem fale em línguas, falem dois ou no máximo três, um após o outro. E que alguém as interprete. Se não há intérprete, cale-se o irmão na assembléia; fale a si mesmo e a Deus. Quanto aos profetas, dois ou três tomem a palavra e os outros julguem. Se alguém que esteja sentado, recebe uma revelação, cale-se o primeiro. Vós todos podeis profetizar, mas cada um a seu turno, para que todos sejam instruídos e encorajados” (1 Cor 14, 13-31 ).
- Mas não podemos dissociar os carismas da caridade. Eles devem estar ligados à caridade, de outro modo não têm valor. Eis por que Paulo escreveu seu cântico à caridade enquanto ensinava sobre os carismas. É assim que na primeira carta aos Coríntios temos o seguinte esquema:
Capítulo 12: sobre os carismas.
Capítulo 13: cântico sobre a caridade.
Capítulo 14: outra vez sobre os carismas.
Deste modo Paulo não quer dizer que basta a caridade, e que os carismas não são necessários. Mas ele quer dizer que a corrente da caridade tudo anima. Os carismas são como os utensílios, preciso usá-los no amor.
3º) Os frutos do Espírito na comunidade
Os frutos do Espírito são para Paulo a prova, a manifestação da autenticidade da vida carismática. Podem existir carismas falsos, seja por estarem as pessoas na ilusão, seja porque pode haver charlatães espirituais ou pessoas histéricas. Por isso Paulo nos aconselha a “provar de tudo e reter o que é bom”. Jesus já havia avisado aos apóstolos que se precavessem: “Reconhece-se a árvore por seu fruto”.
Não podemos rever aqui todos os frutos do Espírito. Vamos aqui limitar-nos à leitura da passagem de Paulo aos Gálatas 5, 22-26: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio. Contra essas coisas não existe lei. Pois os que são de Cristo Jesus, crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito também sejamos conduzidos. Não sejamos cobiçosos de glória vã, provocando-nos uns aos outros e invejando-nos uns aos outros”.
Dentre estes frutos, retenhamos aqui o da alegria. Ela explode em cada página dos Atos dos Apóstolos. Esta alegria não é deste mundo, ela vem de Deus, é a alegria mesma que estava em Jesus. A sua alegria que ele nos prometeu: “Agora porém, vou para junto de ti e digo isto no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria” (Jo 17, 13). Os que vivem no Espírito têm esta alegria, mesmo no meio de contradições e sofrimentos. Ao sair da prisão, após terem sido espancados estão alegres:
“Chamaram de novo os apóstolos e mandaram bater-lhes com varas e, depois de intimá-los a não falar no nome de Jesus, soltaram-nos. Quanto a eles, deixaram o Sinédrio, muito alegres de terem sido julgados dignos de sofrer ultrajes pelo Nome” (At 5, 40-41).
“Fê-los, então, subir à sua casa, pôs-lhes a mesa, e alegrou-se com todos os seus por ter crido em Deus” (At 16,34).
É a alegria “de anunciar a Palavra, é a alegria de recebê-la”. “Muito alegres por estas palavras, os gentios glorificavam a palavra do Senhor, e todos aqueles que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. Assim, a palavra do Senhor difundia-se por toda a região. Mas os judeus instigaram algumas senhoras nobres e devotas, assim como os principais da cidade; suscitaram deste modo uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos de seu território. Estes, sacudindo contra eles a poeira dos pés, foram a Icônio. Os discípulos, porém, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” (At 13, 48-52).
Ao ler estes textos percebemos que não se trata de uma emoção passageira e artificial, mas sim de um belo fruto que ilumina a vida toda.
4º) As reuniões da comunidade
a) Nas primeiras comunidades cristãs
Muito depressa os cristãos começaram a se reunir em casa de uns e outros. Que se passava então?
- Louvava-se e celebrava-se o Senhor de todo coração por cantos inspirados; por salmos.
“Falai uns aos outros com salmos e hinos e cânticos inspirados, cantando e louvando ao Senhor em vosso coração, sempre e por tudo dando graças a Deus, o Pai, em nome de Jesus Cristo nosso Senhor” (Ef 5, 19-20).
- Proclamava-se a palavra de Deus, e as testemunhas relatavam nas reuniões o que Jesus havia dito, o que ele havia feito.
“A Palavra de Cristo habite em vós ricamente: com toda a sabedoria ensinai e admoestai uns aos outros e, em ação de graças a Deus, entoem vossos corações salmos, hinos e cânticos inspirados. E tudo o que fizerdes de palavra ou ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, por ele dando graças a Deus, O Pai” (Col 3, 16-17).
- Celebrava-se a ceia do Senhor. Isto dava às reuniões uma dimensão misteriosa, uma densidade que jamais alguém havia experimentado nas sinagogas. Seria aqui preciso reler a passagem de 1 Cor 11, 17-33, na qual Paulo fala dos abusos de certos cristãos durante as reuniões.
- Eles faziam as refeições na alegria.
Havia um calor humano e uma espontaneidade que se harmonizavam admiravelmente bem com as coisas espirituais e sagradas. “Dia após dia, unânimes, freqüentavam assiduamente o Templo e partiam O pão pelas casas, tomando o alimento com a alegria e simplicidade de coração” (At 2, 46).
b) A reunião de oração nos grupos da renovação
Nossas reuniões de oração são uma volta à espontaneidade destas liturgias iniciais.
Por toda parte nascem grupos de oração. Isto mostra com evidência uma necessidade de voltar à oração, ou ao menos de redescobrir uma oração mais espontânea e mais interior. Dentro desta floração desejaria situar o que é um grupo de oração da Renovação Carismática. Pois com efeito existem muitas reuniões que se parecem com este grupo de que estou falando, mas que são outra coisa. Por exemplo: grupos de meditação em comum, grupos para partilhar o Evangelho, grupos de revisão de vida etc… Além disso há um certo número de grupos de oração da Renovação que estão “em formação” mas ainda não estabelecidos: muitos tateiam ainda e teriam necessidade de um treino ou preparação baseada em uma doutrina certa e uma pastoral esclarecida.
Eis o que nos parecem ser as características de um grupo formado para esta maneira de orar. Uma coisa é evidente, mas nunca é demais enfatizar: é preciso que todo o grupo tenha entrado para a Renovação, isto é, que a maioria dos membros tenha feito a experiência da Renovação. Então compreendem-se e vivem-se as linhas de força que caracterizam uma reunião de oração da Renovação. Empregamos propositalmente a expressão “linhas de força” para mostrar claro que não se trata de uma oração esquematizada ou organizada seguindo tal ou qual modelo.
AS CINCO LINHAS DE FORÇA
1. Presença de Jesus
É antes de mais nada a tomada de consciência da presença de Jesus no meio do grupo: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles”. Digo tomada de consciência porque a cada reunião isto é lembrado, isto é “orado”. Cada vez nós nos situamos em uma atitude de fé viva na presença do Cristo vivo e ativo no meio do grupo. O Senhor está lá com seu poder e seu amor para curar, fortificar, reconfortar. Esta tomada de consciência é a chave da oração da renovação.
2. Abertura ao Espírito Santo
Ela só é possível porque o grupo se abre à ação do Espirito Santo. Esta é a segunda linha de força. Vamos à reunião para nos oferecer a uma ação mais penetrante do Espírito em nós. Esta ação é pedida várias vezes por uns e outros. Levamos a sério os apelos ao Espírito que se acham magnificamente expressos na liturgia. Não tenhamos medo de pedir os dons espirituais segundo o conselho de Paulo:
“A propósito dos dons do Espírito, irmãos, não quero que estejais na ignorância. Sabeis que, quando éreis gentios, éreis irresistivelmente arrastados para os ídolos mudos. Por isso, eu vos declaro que ninguém, falando com o Espírito de Deus, diz: “Anátema seja Jesus!” e ninguém pode dizer: “Jesus é Senhor” a não ser no Espírito Santo.
Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um o Espírito dá a palavra de sabedoria; a outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder de fazer milagres; a outro a profecia; a outro o discernimento dos espíritos; a outro o dom de falar em línguas; a outro ainda, o dom de as interpretar. Mas, isso tudo, é o único e mesmo Espírito que o realiza, distribuindo a cada um os seus dons, conforme lhe apraz” (1 Cor 12, 1-11).
3. Oração de Louvor
Outra linha de força que anima a oração da Renovação é a ênfase dada ao louvor. Viemos antes de mais nada celebrar o Senhorio de Jesus Cristo, filho de Deus; viemos para adorar, louvar e agradecer a Deus nosso Pai. Nossa reunião deve ser uma sinfonia de louvor, como uma fonte que jorra sem cessar em múltiplos jatos d’água. “Falai uns aos outros com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantando e louvando ao Senhor em vosso coração” (Ef 5, 19).
4. Comunhão
É preciso que façamos também a experiência da comunhão em Jesus Cristo: “Tendo sido alimentados de seu corpo e de seu sangue, concedei-nos ser um só corpo e um só espírito no Cristo”. Esta unidade em Jesus e entre todos os presentes é assim vivida no plano existencial em cada reunião. Todos estando à escuta uns dos outros o Espírito se manifesta no grupo e em cada um dos seus membros, as divergências entre pessoas desaparecem para dar lugar ao amor fraterno, fruto do Espírito Santo. A solidão e o isolamento de tantos cristãos são vencidos e vem a alegria de sermos juntos o corpo e o sangue do Cristo. Paulo, falando dos dons espirituais, põe em evidência o que é a comunhão: “Com efeito, o corpo é um e, não obstante, tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo. Assim também acontece com Cristo. Pois fomos todos batizados num só espirito para ser um só corpo, judeus e gregos, escravos e livres; e todos bebemos de um só Espirito!”.
O corpo não se compõe de um só membro, mas de muitos. Se o pé disser: “Mão eu não sou, logo não pertenço ao corpo”, nem por isso deixará de fazer parte do corpo. E, se a orelha disser: “Olho eu não sou, logo não pertenço ao corpo”, nem por isso deixará de fazer parte do corpo. Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria olfato?
Mas Deus dispôs cada um dos membros do corpo, segundo a sua vontade. Se o conjunto fosse um só membro, onde estaria o corpo? Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo. Não pode o olho dizer à mão: “Não preciso de ti”; nem tampouco pode a cabeça dizer aos pés: “Não preciso de vós”.
Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos, são os mais necessários, e aqueles que parecem menos dignos de honra, são os que cercamos de maior honra, e nossos membros que são menos decentes, nós os tratamos com mais decência; os que são decentes, não precisam de tais cuidados. Mas Deus dispôs o corpo de modo a conceder maior honra ao que é menos nobre, afim de que não haja divisão no corpo, mas os membros tenham igual solicitude uns com os outros. Se um membro sofre, todos os membros compartilham seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros compartilham a sua alegria.
Ora, vós sois o corpo de Cristo e membros, cada um por sua parte. E aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, doutores… Vêm, a seguir, os dons dos milagres, das curas, da assistência, do governo e o de falar diversas línguas. Porventura, são todos apóstolos? Todos profetas? Todos doutores? Todos realizam milagres? Todos têm os dons das curas? Todos falam línguas? Todos as interpretam? (1 Cor 12, 12-30).
5. Palavra de Deus
Há uma quinta linha de força que Paulo põe em evidência em Col 3, 16: “A Palavra de Cristo habite em vós ricamente”. A Palavra deve ser como o cenário: é o pão que alimenta a reunião. É a mensagem de Deus que é ouvida e recolhida em um coração e um espirito abertos à ação do Espirito:
“Mas o Paráclito, o Espirito Santo que o Pai enviará em meu nome, é que vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26). É desejável que venhamos às reuniões com o missal para que, escutando a palavra oferecida nossa meditação neste dia, estejamos em comunhão com toda a Igreja.
Para aqueles que começam, sugerimos o seguinte roteiro para “entrar na Palavra de Deus”. É preciso escolher um texto de certa densidade se a liturgia do dia não lhe traz inspiração.
Eis as etapas deste roteiro:
- Primeira etapa: o líder lê o texto muito lentamente. Esta primeira leitura é seguida de um silêncio – nem muito longo nem muito curto.
- Segunda etapa: outra pessoa do grupo relê o mesmo texto – também muito lentamente e também seguido por um silêncio. A Palavra de Deus penetra mais fundo.
- Terceira etapa: membros do grupo – segundo a inspiração de cada um – relêem a frase ou a palavra que os tocou, pela qual foram atingidos – ainda leitura textual. Desta vez a Palavra de Deus age ainda mais fundamente.
- Quarta etapa: um ou outro retoma palavras ou frases orando o texto, dizendo por exemplo: Jesus, dá-me uma alma de pobre, afasta todo o orgulho de meu espírito.
Depois deixa-se partir a oração, o louvor, a ação de graças… na espontaneidade e seguindo a inspiração de cada um.
OUTROS ELEMENTOS IMPORTANTES DE UMA REUNIÃO DE ORAÇÃO
- Lugar e valor do silêncio
Não se pode aqui dar regras precisas. Um grupo com um pouco de experiência nota quando é preciso calar-se. É preciso então “ouvir o silêncio”: fazer-se presente para Deus como ele está presente para nós. Durante este tempo a Palavra penetra em nosso coração e nos transforma. No início, o líder do grupo pedirá de vez em quando um momento de silêncio.
Será normalmente neste tempo de silêncio que palavras virão aos lábios para esclarecer e fortificar a assembléia. É aconselhável que de vez em quando o grupo faça uma avaliação de sua oração e neste momento se questione sobre o lugar e qualidade do silêncio.
- Sobre a importância do canto e dos instrumentos musicais
É preciso um esforço real para cantar com freqüência o melhor possível. Escolhamos sobretudo cantos de louvor, cânticos que dirijam a atenção, o olhar a Jesus, ao Pai, ao Espírito (leia-se o Salmo 150).
- O modo de nos colocarmos
Não é para ser negligenciado. Sempre em círculo, em volta de uma vela acesa que simboliza a presença de Jesus. Sendo muito numerosos, coloquemo-nos em círculos concêntricos.
- Orações em murmúrio
De início elas espantam; após algum tempo nos fazem consciência da presença do Espírito que nos faz murmurar pequenas expressões de louvor, de amor, de ação de graças sem prestarmos atenção aos outros. Estas orações nos fazem entrar em um tipo de movimento que finalmente nos carrega a todos.
- O canto, a oração em línguas
Muitos se inquietam por causa do dom de línguas. É nos menos curiosos que um dom de Deus provoca tal inquietude. Por este motivo é que devemos nos informar, como nos diz São Paulo em 1 Cor 12, 1: “A propósito dos dons do Espírito, irmãos, não quero que estejais na ignorância”.
O dom de línguas se manifesta de duas formas: pode ser ascendente – uma prece de louvor que se dirige a Deus nosso Pai através de uma linguagem preconceptual, segundo o que nos revela São Paulo aos Romanos (8,26): “Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. ..”. Algumas vezes o nosso desejo de louvar o Senhor, de expressar-lhe nosso amor é tão forte que não encontramos mais palavras. É então que o Espírito faz uso deste meio de expressão muito livre e muito humano, utilizado tão graciosamente pela criança que ainda não aprendeu a falar. Este canto é de uma beleza sem par e nos leva sempre a um sentimento muito forte da presença de Deus que nos dá a sua Paz.
Há uma segunda manifestação do dom de línguas. São Paulo nos fala dela com precisão na primeira epístola aos Coríntios, no capítulo 14. Trata-se, desta vez, de uma mensagem do Senhor que é dada a uma das pessoas do grupo numa língua que ela própria não compreende. Uma outra pessoa do grupo recebe a interpretação desta mensagem e a diz numa língua que todos compreendem. Trata-se, pois, de um sinal que manifesta a ação do Espírito Santo. É necessário sem dúvida discerni-lo, pois pode acontecer que falsos carismas se misturem aos verdadeiros. Mas, desde que o Senhor nos fala desta maneira, é necessário acolher o dom que ele nos dá na ação de graças e jamais sufocar o Espírito.
- A espontaneidade e a liberdade
Como digo algumas vezes, nós somos um pouco como as aves congeladas. Precisamos de algum tempo para descongelar. Toda uma educação nos congelou em atitudes reservadas e polidas… já é tempo de reencontrar um pouco de liberdade e de espontaneidade nos grupos de oração. Se a juventude exprime a sua vitalidade pelo canto, pela dança, pelas guitarras, por que motivo esta mesma juventude estaria enregelada ao celebrar a alegria de Cristo ressuscitado? Não nos esqueçamos que somos corpo e alma e que a expressão gestual é bem própria da condição humana.
- Os testemunhos
É de grande proveito que se diga com simplicidade tudo de bom e belo que o Senhor nos dá, a maneira como ouve nossas orações, os sinais visíveis da ação do Espírito Santo. Tudo isso ajuda a comunidade, dando-lhe cada vez mais confiança na oração.
- Intenções da oração
Devem ser colocadas ao fim da reunião. De outro modo tomariam o lugar do louvor; elas vêm naturalmente, como fruto de uma comunidade que se deixou invadir pelo amor fraterno.
- As profecias
Não se trata de predizer o futuro mas sim de palavras que edificam a comunidade. Paulo dá um grande valor a estas palavras inspiradas: “Aquele que profetiza, fala aos homens: edifica, consola, exorta” {1 Cor 14, 3).
- O papel do lider
É evidentemente importante ter um líder que compreenda seu papel. É preciso orar afim de que a comunidade descubra aquele que deve assumir tal função. Não é requisito que seja sempre o mesmo.
Qual é o seu papel? Ele não vai conduzir uma reunião seguindo um esquema já preparado:
- deve velar para que as linhas de força já mencionadas estejam sempre presentes: a presença de Jesus, o apelo ao Espírito, a comunhão, o louvor, a palavra de Deus, o silêncio.
- é desejável que ele tenha preparada uma passagem da Escritura, escolhida de preferência na liturgia do dia ou do domingo. Poderá dar algumas orientações à oração a partir desta passagem, ou seguir o caminho indicado acima a partir da palavra de Deus na reunião.
- deve esforçar-se por manter um certo equilíbrio entre os elementos, mas com bastante flexibilidade, sem esquecer de sem cessar, reconduzir a comunidade ao louvor.
- no início ele intervém mais, porém progressivamente dá lugar ao Espírito e cuida que uns e outros estejam à escuta do Espírito que nos fala através dos irmãos e irmãs.
Para concluir, releiamos duas passagens de Paulo: “Enchei-vos do Espírito. Falai uns aos outros com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantando e louvando ao Senhor em vosso coração, sempre e por tudo dando graças a Deus, o Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5, 18-20).
“A Palavra de Cristo habite em vós ricamente: com toda sabedoria ensinai e admoestai uns aos outros e, em ação de graças a Deus, entoem vossos corações salmos, hinos e cânticos inspirados. E tudo o que fizerdes de palavra ou ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, por ele dando graças a Deus, o Pai” (Col 3, 16-17).
Tudo isso se faz progressivamente; não se deve forçar nada, mas abrir-se à ação do Espírito na fé e na generosidade. O Reino dos céus é como um grão de mostarda… é preciso ser paciente, não se desencorajar. Um último conselho: conservemos o senso de humor, não nos tomemos muito a sério, sabendo às vezes rir de nós mesmos; assim tudo será marcado com o selo do bom senso cristão. Então o grupo de oração será um tempo forte que a cada vez nos dá “um coração novo, um espírito novo”.
- A Eucaristia
Quando um padre está presente à reunião de oração, será aconselhável terminá-la pela celebração da Eucaristia. Para permanecer dentro da perspectiva das reuniões das primeiras comunidades cristãs é preciso jamais perder de vista o vínculo entre a Eucaristia e a reunião de oração. Esta última é como uma liturgia da Palavra num modo livre e espontâneo. É uma conclusão normal que ela seja seguida da Eucaristia.
Não esqueçamos que a Comunidade Cristã é “essencialmente” uma Comunidade Eucarística.
- Após a reunião
Ela termina de um modo bem livre. Alguns tomam uma xícara de café (não organizem uma refeição), outros podem desejar continuar a orar em pequenos grupos porque alguém pede que se ore por ele, pedindo uma efusão particular do Espírito por uma necessidade particular.
- O Padre e a reunião de oração
Normalmente não deve ser ele o líder; às vezes ele tem este papel no início, mas depois deixa este lugar a outros.
- Ele está lá ao mesmo tempo como todos os outros cristãos e como a presença da Igreja para “discernir”, se for necessário, e jamais para extinguir o Espírito.
- Seu papel é, portanto, discreto; ele deixa o Espírito Santo agir e se qualquer coisa lhe parece anormal, que fale com o líder depois da reunião.
5º) O crescimento da comunidade: O testemunho
A comunidade como tal e cada membro eram missionários. Depois de terem recebido a boa nova de Jesus, a efusão do Espírito, não podiam deixar de partilhá-la com os outros.
Ser testemunha de Jesus Cristo era manifestar visivelmente que se recebera o Espírito. Jesus o disse pouco antes de partir: “Mas o Espírito descerá sobre vós e dele recebereis força. Sereis, então, minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria, e até os confins da Terra” (At l’ 8).
Havia dois tipos de testemunho:
O dos membros: Cada um testemunhava ao sabor de seus encontros diários no mercado, em família, à saída do templo. Testemunho por palavras, mas sobretudo por uma espécie de transparência, de irradiação que era como o sinal da presença e da força de Jesus Cristo. Lembremos a encantadora história de Felipe que corre atrás do carro do etíope (At 8, 26-40).
Nada os segurava: nem ironias, nem prisões, nem perseguições (At 5, 17-21).
O da comunidade: A comunidade era como uma demonstração, uma carta escrita que manifestava a presença de Jesus, a veracidade de sua mensagem, a ação visível do Espírito Santo.
Aqui é preciso ler e reler os Atos. Quanto mais meditamos sobre eles, mais tomamos consciência de que para construir o Reino é preciso entregarmo-nos à ação do Espírito Santo. Não foi com ouro nem prata, com métodos e novidades que eles atraíram os incrédulos, mas tornando-se uma comunidade, uma comunhão que era o sinal visível do Amor.
Os grupos de oração que evoluem bem tornam-se comunidades, cada uma segundo o seu chamamento. Mas não podem fechar-se sobre si mesmos; à imagem das primeiras comunidades cristãs devem ser missionários. Se não partilhamos os dons de Deus nós os perdemos.
“Mas o Espírito Santo descerá sobre vós e dele recebereis força. Sereis, então, minhas testemunhas” (At 1, 8).
Esforcemo-nos por tomar consciência de que somos o corpo de Cristo .
Fonte: Cancaonova.com

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Oração em "Linguas"

"... falarão novas línguas" (Mc 16,17).

"... o Espírito Santo que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, também a educa para a vida de oração, suscitando expressões que se renovam no âmbito de formas permanentes, benção, petição, intercessão, ação de graças e louvor" (do Catecismo da Igreja Católica).

Sendo o dom das línguas o mais comum de todos os carismas, não deixa talvez de ser também o mais estranho.

O dom das línguas ou glossologia é, antes do mais, uma oração que se faz a Deus. Trata-se de uma oração feita em língua desconhecida, nunca estudada e nunca ouvida. Quem a profere, empregando sons dos quais não compreende o sentido, sente-se envolvido por um misterioso sentimento de alegria e paz.

A oração em línguas integra sempre a oração comunitária, onde brota com naturalidade e se traduz numa força poderosa. Faz também parte da oração pessoal, quando as palavras nos faltam, a fraqueza nos invade e se apodera de nós uma sensação de desânimo, impedindo a nossa concentração. Rezar em línguas abre o caminho para uma oração mais profunda, para um contato mais imediato com Deus.

Jean Lafrance diz que a oração brota do mais profundo do nosso ser como um "grito", e diz também que "Jesus revela-nos o verdadeiro objetivo da nossa oração, que é a efusão do Espírito Santo no coração de cada um". Como diz S. Paulo na 1ª Carta aos Coríntios 14,2 "aquele que fala em línguas, não fala aos homens mas a Deus: ninguém de fato entende pois no Espírito diz coisas misteriosas", e acrescenta em 14,4 "quem fala em línguas edifica-se a si mesmo".

O Cardeal Suenens dá testemunho da dimensão espiritual da oração em línguas, quando afirma: "este modo de rezar é uma forma de desprendimento de si, de desbloqueio e de libertação interior diante de Deus e dos outros. Se no ponto de partida da experiência se aceita este ato de humildade, (...) experimenta-se a alegria de descobrir um modo de rezar para além das palavras e para além de todo o cerebralismo. Este modo de rezar é criador de paz e expansão".

Na 1ª Carta aos Coríntios 14,15 S. Paulo diz: "Rezarei com o Espírito, mas rezarei também com a inteligência, cantarei com o Espírito, mas cantarei também com a inteligência". Santo Agostinho chama ao cântico em línguas o cântico no júbilo e explica que o júbilo é uma alegria que não pode expressar por palavras o que se canta com o coração.

A voz humana expressa o que é concebido interiormente e não pode ser explicado por palavras. "A voz da alma extravasa felicidade expressando o que sente sem refletir em nenhuma significação especial. Para manifestar esta alegria o homem não usa palavras que podem ser pronunciadas ou entendidas, mas simplesmente deixa que a sua alegria irrompa sem palavras".

A oração em línguas é apropriada em qualquer circunstância, porque sabemos que é o Espírito que inspira as intenções e as palavras. Como oração de louvor é o meio mais fácil para glorificar a Jesus e ao Pai. Como oração de súplica e intercessão e combate às tentações, é forte e poderosa porque as palavras chegam a Deus mediante o poder do Espírito.

Quem não se sentiu tocado quando num grupo de oração carismático, espontânea e imperceptivelmente se começa a rezar em línguas, sem que alguém tenha transmitido qualquer ordem ou sinal nesse sentido? Do mesmo modo, quando ao terminar se seguem alguns instantes de silêncio, quem não sentiu ali a presença de Deus, viva e real que nos une amorosamente?

Lurdes Azinheiro
Isabel Soares de Almeida
Grupo Pneumavita, Lisboa

O texto abaixo é uma reflexão minha, responsável pelo site A crisma.

Observação: É importante salientar que o dom de rezar em línguas é um dom pessoal, que deve ser usado com muita descrição e para um encontro de si mesmo e com Deus. Vejamos o que São Paulo nos diz:

“1 Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai igualmente aos dons espirituais, mas sobretudo ao de profecia.
2 Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do Espírito.
3 Aquele, porém, que profetiza fala aos homens, para edificá-los, exortá-los e consolá-los.
4 Aquele que fala em línguas edifica-se a si mesmo; mas o que profetiza, edifica a assembléia.”

1Cor 14,1 - 4.

Anderson Roberto

O dom de interpretação das línguas

 

Interpretar é diferente, é descobrir o sentido do que está sendo dito
No dom de línguas se apresentam o “orar em línguas” e o “falar em línguas”. O orar em línguas é pessoal e voltado para Deus. Só o Senhor entende essa oração e, em geral, ela não é interpretada. Já o falar em línguas é uma mensagem para as pessoas que estão reunidas em oração, e só tem finalidade se dela resultar uma interpretação. “Por isso, quem fala em línguas, peça na oração o dom de interpretação, diz São Paulo (1 Cor 14,13).

O falar em línguas é uma espécie de profecia. Dessa forma, é Deus quem fala ao seu povo. Fala porque quer que seus filhos o compreendam. Então, ao mesmo tempo que Deus suscita a profecia ou o falar em línguas, concede também, a alguém ali presente, o dom de a interpretar. Pode ser que Deus conceda o dom da interpretação à mesma pessoa que trouxe a mensagem em línguas. Pode ser também que o Senhor dê a mensagem em línguas a uma pessoa e a interpretação a outra. Mas a instrução é clara: "Se não houver intérprete, fiquem calados na reunião, e falem consigo mesmos e com Deus" (1 Cor 14,28).

Podemos perceber que não se trata de tradução, mas de interpretação. Ninguém é capaz de traduzir o falar em línguas, mas é possível interpretá-lo. A interpretação é um dom e uma arte que podemos encontrar nas comunidades carismáticas que Deus tem suscitado.

Na tradução, pegamos palavra por palavra e encontramos a correspondência em outra língua. Quando digo que a palavra “janela” corresponde a “window” em inglês e “fenêtre” em francês, estou traduzindo.

Interpretar é diferente, é descobrir o sentido do que está sendo dito. No caso do dom de línguas, é reproduzir o pensamento de Deus, tornar claro o sentido da mensagem que Ele enviou. Estamos falando de uma mensagem que Deus dirige àquela comunidade de pessoas reunidas, ou a uma única pessoa. Normalmente acontece assim: Após um momento intenso de oração, em geral, depois de um bom tempo de oração em línguas, faz-se um profundo silêncio, cheio de adoração e expectativa para escutar o Senhor. Todos estão em silencio... de repente, uma única pessoa em todo o grupo começa a falar em línguas. Todos a escutam. Quando ela termina, todos devem permanecer em silêncio até que uma outra pessoa comece a falar aquela mesma mensagem na língua que todos entendem, no nosso caso, a língua portuguesa.

Quem recebe o dom de interpretação percebe qua as palavras vêm a sua mente uma a uma. Nessa hora, podemos sentir como se os pensamentos sumissem e apenas aquela palavra o ocupasse. A palavra seguinte só surge em nossa mente depois que proclamamos a anterior. À medida que vamos falando, a próxima palavra surge. Exercer esse dom exige muita fé e coragem, pois, quando a pessoa abre a boca para trazer a interpretação, na verdade, ela dispõe de apenas uma única palavra. Só depois as outras vão se juntando a ela e formando a frase, a idéia, a mensagem.

A pessoa que recebeu o dom da interpretação deve trazer a mensagem na primeira pessoa, em nome do Senhor. Ela deve proclamar essa palavra dizendo: "Eis o que o Senhor" ou "O Senhor fala", e logo em seguida falar na primeira pessoa a mensagem que recebeu em seu coração, como o próprio Deus falando. O Senhor nos concede o seu dom para que proclamemos a mensagem em seu nome e não para que expliquemos às pessoas o que Ele nos falou.

Deus abençoe você!
Márcio Mendes
marciomendes@cancaonova.com
Missionário da Comunidade Canção Nova, formado em teologia, autor dos livros "Quando só Deus é a resposta" e "Vencendo aflições, alcançando milagres".
24/08/2007 - 00h00

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Repouso no Espírito Santo (parte 2)


espirito-santo-imagem“Toda aquela gente ali deitada…”
A visão externa
O repouso no Espírito parece ser uma das maneiras através da qual Deus nos leva a uma posição, ou estabelece uma dinâmica, que nos permite receber cura. Pe. John Hampsch descreve alguns métodos de cura por meio dos quais o repouso no Espírito pode ocorrer:
“A cura pode ser comunicada exclusivamente através da imposição de mãos; pela aspersão de água benta, estendendo-se as mãos sobre o grupo; pela bênção dos doentes, com ou sem a bênção do Santíssimo Sacramento. A cura é ministrada de diversos modos.
Pode-se simplesmente pedir que o grupo todo imponha as mãos sobre os ombros e a cabeça da pessoa por quem se deseja orar, ou pode-se receber a oração como membro do grupo, permanecendo-se em círculo, de mãos dadas.
O repouso no Espírito pode acontecer em qualquer desses contextos. Geralmente, ocorre com a imposição de mãos e/ou com unção.”
O ambiente
“Eu estava sozinha, fazendo meu repouso diário, durante um retiro. Por 15 ou 30 minutos experimentei uma presença tão forte do Senhor (eletricidade, vibrações, paz), que senti que precisava ficar imóvel. Pensei que, provavelmente, não seria mesmo capaz de me mexer” (bibliotecária).
“Repouso frequentemente no Espírito em pequenas reuniões de grupo em casas de família. O Senhor realiza profundas curas nessas ocasiões…” (esposa e mãe).
“A maior parte de minhas experiências de repouso no Espírito tem sido em grandes reuniões de 200 a 1.000 pessoas; contudo, quando estou repousando no chão, fico sozinha com Jesus. Ele fala comigo e me permite sentir o Seu amor como se eu fosse a única pessoa na sala” (empresária).
A posição
“Eu estava de pé com um grupo, orando para que uma pessoa recebesse o batismo, quando ouvi o líder dizer: ‘Segure, ele está caindo’.
Pensei que estivesse falando de outra pessoa, até que me vi no chão…” (engenheiro civil).
“Repousei no Espírito muitas vezes mesmo estando sentada…” (irmã beneditina).
“Uma amiga orou por mim quando eu estava deitada, e repousei no Espírito profundamente durante 30 minutos” (professora).
O instrumento
“Pe. DeGrandis perguntou se eu queria ser batizado no Espírito Santo. Quando disse ‘sim’, ele me tocou suavemente e caí no chão” (gerente de processamento de dados) .
“Há ocasiões em que parece quase impossível permanecer de pé, ainda que ninguém o esteja tocando ou fazendo imposição de mãos.” (dona de casa).
Sensação durante a queda
“Senti-me sem peso, como um astronauta…” (balconista).” …como uma folha ao vento, voando para o chão…” (mãe).
“Senti como se alguma coisa pesada estivesse caindo sobre mim…” (Gerente de processamento de dados).
Mudança das sensações físicas durante o repouso no chão
Nos testemunhos que recebi, parece haver, frequentemente, uma ‘anestesia’ suave e parcial dos sentidos, que possibilita uma mudança do foco de atenção do exterior para o interior. Quando esta mudança acontece, o mundo espiritual parece emergir de modo poderoso.
Expressão física
Tranquila, agitada, sorridente, chorosa.
Tempo de permanência no chão
O tempo pode variar de minuto a horas, dependendo, provavelmente, da profundidade e extensão da cura interior que está sendo realizada.
“Em minha experiência, o repouso foi algumas vezes breve e em outras, mais prolongado. Senti o Espírito vir suave e rapidamente, com intensidades diferentes” (secretária).
“Vi toda aquela gente ali deitada, e me perguntei o que será que Deus estaria fazendo…” (professora) .

“Ele cuida, ampara, embala…”
A visão interna
Em Ministério de cura para leigos, afirmo que o Senhor nos fala frequentemente em níveis profundos enquanto repousamos no Espírito:
“Muita gente tem tido a experiência de obter uma visão retrospectiva de toda a sua vida… e, segundo creio, quando isso acontece num clima de oração é porque a cura interior está ocorrendo…”
Os 200 entrevistados de nossa pesquisa comunicaram grande variedade de modos com que o Senhor tocou seus corações.
A agitação geralmente sugere que profundas feridas emocionais foram tocadas ou que as influências negativas foram substituídas pela presença de Jesus.
“Sabes quando me deito…”
Algumas áreas controversas
Alguns líderes da Renovação têm a preocupação de que o repouso no Espírito não seja ativado pelo Espírito Santo, mas que, pelo contrário, seja um fenômeno misto.
O autor de um artigo na revista New Covenant comenta:
“…Outros têm algumas reservas sobre este fenômeno. Veem a experiência como algo muito semelhante aos estados de hipnose e de autossugestão que não estão, necessariamente, relacionados com o Espírito Santo. Eles questionam seriamente a base escriturística do fenômeno e têm graves reservas sobre a sabedoria pastoral de encorajá-lo”.
O Cardeal Suenens, em a controversial  phenomenon, resting in the Spirit, conclui que a tendência a cair pode estar relacionada mais à dinâmica psicológica do que à moção do Espírito Santo, e por este motivo, publicou uma advertência.
Inclino-me a acreditar que a maior da parte dos repousos são uma experiência de Jesus.
Pe. Richard Bain, de San Francisco, afirma:
“Pode ser verdade que a maior parte do repouso no Espírito seja causado pela dinâmica psicológica. Talvez muitas pessoas simplesmente queiram cair. Não acredito que isto deva causar preocupação, pois uma vez no chão, poderão se tornar abertas ao toque de Deus. Para mim, a questão não é por que caem, mas o que acontece quando estão deitadas.
A Igreja não é Deus, os sacramentos não são Deus. O rosário não é Deus. Mas cada um deles estabelece a dinâmica que nos ajuda a encontrar Deus. Acredito que o repouso no Espírito também possa nos ajudar a encontrar Deus. Todas as pessoas com quem tenho conversado encontraram nele uma experiência muito positiva.
Minha primeira experiência do repouso, com Pe. Dennis Kelleher, de Nova lorque, abriu as portas para o meu ministério de cura.”
Há, provavelmente, um misto entre a dinâmica psicológica e a espiritual no repouso no Espírito, devido à interrelação de corpo, mente e espírito.
Pe. George Maloney, no artigo How to understand and evaluate the ‘charismatics’ newest experience: Slaying in the Spirit, afirma: “O fenômeno da ‘morte no Espírito’ não deve ser julgado por um critério de e/ou: se é ‘natural’ ou ‘sobrenatural’, induzido somente pela natureza psíquica do homem, ou uma demonstração cabal do poder do Espírito Santo entre os homens…”.
Outro aspecto comum de controvérsia está relacionado com o repouso “espontâneo” versus o repouso “induzido, cooperativo ou ministrado”. O repouso “espontâneo” não é, na verdade, problema para muita gente. A área de conflito está naquilo que é aceitável em termos de encorajamento para que as pessoas se abram à experiência do repouso, isto é, o repouso “induzido, cooperativo ou ministrado”.
O conflito emerge quando a dinâmica psicológica está envolvida no processo do repouso. Acredito que ajudar as pessoas a chegarem a uma condição de entrega a Deus é uma ação positiva e construtiva. Deste modo, a questão a ser levantada é: “Para quem elas estão entregando seus corações? Qual é a intenção delas? Pedro tomou a iniciativa pessoal de andar sobre as águas (Mt 14,29) e, então, o Senhor o conduziu.
O Senhor diz: ” Ah! todos vós que tendes sede, vinde…” (Is 55,1).
Ele diz: “Vinde… e Eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Esta “vinda” inicial é um ato natural em resposta ao Seu chamado. Ele está sempre nos chamando à entrega, e então, quando o fazemos, Ele nos conduz para o domínio espiritual. No dom de línguas, abrimos a boca para que Ele nos dê a palavra espiritual. Ele também nos diz que devemos suscitar os dons. No estágio inicial, esta ação é natural.
Fazemos uma escolha interna para passar de uma ação no campo natural para uma ação no campo espiritual. Quando nos decidimos pela entrega confiante, estamos dizendo: “Conduze-me, Senhor, à Tua Morada”. Ele honra a nossa escolha. Ao longo desses anos, tenho me sentido à vontade quando oro com as pessoas e incentivo-as a se abrirem e se entregarem ao Espírito Santo.
Há alguns princípios nesta área que, acredito, poderão ser úteis:
1. Muitos católicos têm medo da experiência religiosa exterior, classificando-a imediatamente de “emocionalismo”. Alguns observadores têm dito que precisamos de emoção na fé para dar equilíbrio à dimensão intelectual. Santo Agostinho diz: “A fé em busca do entendimento”. Precisamos abrir nossos corações ao amor e ao poder de Deus.
2. A maior parte das pessoas não consegue soltar o corpo para trás porque se sente desprotegida do ponto de vista humano. Quando nos perguntam sobre o repouso e peço-lhes que caiam para trás sem proteção, nenhuma delas é capaz de fazê-lo. No entanto, sob o poder do Espírito Santo, elas conseguem fazer o que, normalmente, seria impossível.
3. Muitas pessoas que ficam sob o poder do Espírito são pessoas cultas, cujo último desejo seria deitar-se no chão. No entanto, mesmo pessoas muito elegantes e distintas parecem perder esta preocupação quando repousam no Espírito.
4. Busco o processo de discernimento comunitário. Somos orientados em (1Jo 4,1) para “examinar os espíritos”. A comunidade, os ministros de oração e as pessoas que recebem oração geralmente têm uma percepção muito boa da presença ou ausência do Senhor durante a oração. Frequentemente, a comunidade sentirá a presença do Espírito Santo durante o processo de repouso.
5. Muitos sacerdotes que se dedicam totalmente ao ministério de cura estão de acordo com os bons frutos produzidos pelo repouso no Espírito. Os bispos que estiveram presentes durante essas orações e que também repousaram dão apoio a esse fenômeno do ministério de cura.
6. Nosso Deus é um Deus de surpresas. Precisamos estar abertos às maneiras através das quais o Espírito parece estar conduzindo o Seu Corpo. Quanto mais espessa a escuridão, mais brilhante a luz. Com a agressão ousada do demônio à nossa cultura, precisamos estar mais entregues à liderança do Senhor. Ele nos diz: “Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).
7. Devemos acreditar na honestidade e integridade básicas das pessoas até prova em contrário. Alguns diriam que nem todos os que caem estão repousando no Espírito. Isto, talvez, seja verdade, mas eu presumiria que a grande maioria está sob o poder do Espírito. Por isso, fico à vontade quando uso essa terminologia.
8. A maior parte dos fenômenos está sujeita a uso e abuso. Já conheci pessoas que jejuaram tanto que chegaram a prejudicar a saúde. Algumas vezes, encontramos pais que vão à missa diariamente esquecendo-se das necessidades da família. Contudo, preferimos focalizar o uso e não o abuso.
9. A ordem e o decoro devem ser sempre preservados. Acredito que do ponto de vista pastoral, devemos averiguar e impedir qualquer abuso, tal como permitir o repouso no Espírito durante a Comunhão, no meio da missa dominical, ou em um lugar público. Sem dúvida, isto constitui abuso e deve ser corrigido pastoralmente.
Nenhum Mal temerei, pois Estás junto a mim
”Jerusalém… as montanhas a envolvem, e o Senhor envolve o seu povo, desde agora e para sempre”.
Nem todo mundo é bastante livre interiormente para se entregar à experiência do repouso no Espírito.
Francis MacNutt faz uma reflexão sobre esta falta de liberdade:
“Há uma sorte de pessoas que bloqueiam esta experiência principalmente aquelas que na vida tiveram de aprender a controlar em demasia suas emoções. Há pessoas que têm verdadeiro pavor de se deixar levar. Não é tanto um problema espiritual; é antes emocional; têm medo de tudo o que não conseguem controlar pela razão. Algumas pessoas perderam a capacidade de responder à vida com espontaneidade”.
Frequentemente os intelectuais terão mais dificuldade em repousar no Espírito. Mas este não foi o caso com o meu antigo professor de Sagrada Escritura no seminário. Ele é licenciado em Sagrada Escritura pelo Instituto Bíblico de Jerusalém e doutorado em Psicologia.
A primeira vez em que recebeu uma oração, instantaneamente caiu sob o poder do Espírito, com uma grande abertura. Ele é muito culto e, contudo, tem uma grande receptividade. Mas, isto não é comum.
Em geral, acredito que o tipo de pessoa que repousa com maior prontidão é aquele que é livre, aberto, corajoso e dócil.
Em geral, são pessoas com uma certa dose de simplicidade. Os tipos mais intelectuais, reservados e conservadores tendem a demonstrar maior resistência ao repouso no Espírito. Portanto, parece haver necessidade de abertura psicológica, bem como de abertura espiritual.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O Repouso no Espírito Santo


Robert De Grandis, S.S.J.
No momento em que iniciamos nossa busca da revelação de Deus sobre o “repouso no Espírito”, peço ao leitor que também participe dos “Seminários de Deus” e faça algumas perguntas ao Senhor. Ele diz em Jeremias 33,3: “Invoca-me e eu te responderei e te anunciarei coisas grandes e inacessíveis, que tu não conheces”.
Introdução
O “repouso no Espírito” é um assunto de grande interesse em nossos dias e relacionado com a Renovação Carismática. Tal como o dom de línguas, a experiência de cair no chão durante uma oração tem despertado a atenção das pessoas. Pouco se tem escrito sobre ele e muito ainda é desconhecido. É como um território virgem, especialmente na comunidade católica.
E justamente porque esse assunto está começando a se destacar e a ter os seus efeitos, quero abrir a comunicação e iniciar o diálogo a respeito. Desejo examinar o que acredito ser mais uma moção do Espírito Santo em nossos dias.
O repouso no Espírito é, provavelmente, mais um dom carismático, pelo menos em parte. Parece haver um duplo carisma: o carisma de algumas pessoas, em quem o poder é tão forte que a maior parte dos que recebem suas orações cai; e o carisma daqueles que recebem a oração e que ficam tão abertos para receber que caem sob o poder quando alguém ora.
A Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, n°12, ao falar dos dons carismáticos diz:
“Estes carismas, quer eminentes, quer mais simples e mais amplamente difundidos, devem ser recebidos com gratidão e consolação, pois que são perfeitamente acomodados e úteis às necessidades da Igreja”.
Desse modo, o que queremos fazer aqui é começar a explorar a “adequação e a utilidade” deste dom, e “recebê-lo com gratidão”.
Minha primeira experiência pessoal com o repouso no Espírito aconteceu durante uma reunião de oração com Kathryn Kuhlman, em 1971. Lembro-me de ter ficado deitado no chão, sentindo uma paz profunda e a consciência do enorme poder de Deus. Desde aquela ocasião, acredito que já repousei pelo menos 25 vezes. Se eu contar todas as vezes em que repousei no Espírito enquanto recebia uma oração, sentado em uma cadeira, creio que seriam de 75 a 100 vezes. Quase todas as vezes que recebo cura interior, repouso no Espírito.
Uma das melhores experiências que já tive foi no Brasil, após um longo e cansativo dia de pregação. Estava exausto e alguém se ofereceu para me fazer repousar no Espírito. Após alguns momentos de repouso com o Senhor, levantei-me totalmente reanimado e renovado. Foi fantástico! Algumas vezes, quando estou tenso, antes de um seminário, peço a alguém que me faça repousar no Espírito. Posso repousar cerca de vinte minutos e, então, estarei pronto para ir, mais sensível, aberto e apto a perceber a direção que o Senhor quer que eu siga naquela pregação.
Em 1972, quando fui chamado para orar em uma equipe com Francis MacNutt, na universidade de Notre Dame, tive minha primeira experiência de ser utilizado como instrumento para o repouso no Espírito de outra pessoa. Surpreso, chamei Bárbara Schlemon para que examinasse a pessoa que tinha caído. Ela me assegurou que o indivíduo estava “simplesmente repousando no Espírito”. Era algo que eu nunca tinha visto.
O tempo passou e comecei a me dedicar inteiramente ao ministério de cura na Renovação Carismática, e o repouso no Espírito se tornou uma via poderosa de cura, especialmente com grandes grupos, onde não havia tempo para a oração individual prolongada. Comecei a ouvir histórias de que o Senhor realizara curas profundas em espaços de tempo incrivelmente curtos, enquanto as pessoas repousavam calmamente em seus lugares ou no chão, durante as orações de cura. Pessoas que haviam se submetido a aconselhamento por muitos anos, sem conseguirem melhora significativa, obtinham profunda cura e rápido crescimento enquanto repousavam no Espírito por breve espaço de tempo.
Tenho experiência de que uma das maneiras mais poderosas de ajudar a cura e o crescimento das pessoas na oração é através do repouso no Espírito. Eu costumava dar cursos sobre a oração e, atualmente, com esses cursos também ajudo as pessoas a se abrirem à experiência do repouso no Espírito. Algumas vezes, em seminários de um dia, ou em retiros de fim de semana, oro para que os participantes repousem no Espírito no começo, antes de iniciar a palestra, no meio e no fim do retiro ou do dia. Essa experiência os abre para receber o Senhor e é mais eficiente do que qualquer outro método que eu já tenha descoberto. Algumas das curas mais profundas ocorrem em retiros nos quais as pessoas repousam no Espírito.
Hoje, quando viajo pelos Estados Unidos e por diversos países, coordenando treinamentos de líderes e orações de cura, em meu ministério de tempo integral, vejo participantes sem-conta repousarem no Espírito – até mesmo bispos!
Um dos comentários mais comuns que ouço quando estou pregando é: “Padre, o senhor é o primeiro a nos dar uma explicação detalhada sobre o repouso no Espírito”. Lembro-me que já em 1974, algumas pessoas em grupos de oração ficavam sob o poder do Espírito enquanto estavam louvando o Senhor. Muitos não sabiam do que se tratava e ficavam com muito medo. A falta de compreensão provoca confusão, interpretações equivocadas e abusos. O assunto precisa ser aberto à discussão. Não podemos simplesmente dar às costas ou reprimi-lo.
Não quero negar que haja problemas pastorais. Creio que o que devemos fazer é obter umas respostas pastorais para os problemas pastorais, sem extinguir o Espírito. João diz nas epístolas: “Examinai os espíritos” (1Jo 4,1) e é isto que estamos tentando fazer: examiná-los em sua autenticidade e praticidade.
De acordo com minha pesquisa, alguns críticos do repouso no Espírito nunca viveram a experiência. Não creio que seja correto alguém que não tenha tido uma experiência tão subjetiva como o repouso no Espírito se posicione contra ela com simples argumentos intelectuais. Seria a mesma coisa que fazer um homem escrever um livro sobre a alegria de dar a luz uma criança. Nenhum homem poderia descrever adequadamente essa sensação, porque é uma experiência subjetiva da mulher.
Entretanto, somos gratos àqueles que questionaram negativamente este dom, porque nos forçaram, a nós que damos valor positivo a essa experiência, a dar a razão da nossa fé. O negativismo que encontrei levou-me a examinar mais profunda e cuidadosamente a posição que eu e outros, que também se dedicam inteiramente ao ministério de cura, defendemos a respeito desse assunto, ao mesmo tempo tão poderoso e delicado.
Em todos os lugares aonde vou, ouço sacerdotes dizendo: “Precisamos de alguma coisa… o povo tem fome… o povo está buscando”. Eles se confrontam com as necessidades do povo tomados por uma sensação de incapacidade de realizar qualquer mudança.
Em um artigo para a revista New Covenant, Pe. James Hughes fala da necessidade de formação espiritual dos jovens de sua paróquia e a solução que Deus lhe deu:
“Comecei com um pequeno grupo de jovens que concordou em fazer um retiro. Durante o rito penitencial, a presença de Deus se tornou tão forte que quase todos foram dominados pelo Espirito Santo e chamados a uma profunda conversão. Muitos foram batizados no Espirito e começaram a falar em línguas… Na verdade, surgiram problemas quando tivemos de fazer algumas mudanças… mas continuamos. Logo fui confrontado com um desafio formidável – uma classe numerosa de crisma com cerca de 100 jovens. Abandonei os manuais e resolvi fazer um Seminário de Vida no Espirito, confiando na orientação do Espirito Santo para me conduzir pelo caminho certo.. A classe correspondeu… A partir do momento em que decidimos correr o risco, Deus respondeu imediatamente … O programa gira em torno da conversão. Enfatizo os dons carismáticos e o batismo no Espirito Santo porque são eles que levam à conversão – à mudança da mente e do coração. Esses jovens precisam de Jesus. A experiência carismática faz com que Seu amor e poder se tornem evidentes… Qual o segredo da mudança? O Senhor se encarrega disso. Os corações dos jovens são transformados quando nos retiramos e deixamos o Senhor agir”.
A necessidade de conversão é a mesma tanto para uma pessoa de 80 anos como para uma criança de oito. Conversão significa mudança, e mudança frequentemente significa risco, medo e problema.
Em cada história que se houve, encontra-se a semente da conversão sendo regada nos corações do povo. Cada história é um exemplo de entrega ao ministério do Espírito Santo.
Paulo VI, na Evangelii nuntiandi, n° 75, afirma:
“Repleta do ‘conforto do Espírito Santo’, a Igreja ‘ia crescendo’ (cf. At 9,31) . Ele é a alma desta mesma Igreja. É Ele quem faz com que os fiéis possam entender os ensinamentos de Jesus e o seu mistério. Ele é aquele que, hoje ainda, como nos inícios da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por Ele…”.
Certa vez, Pe. Matthew Linn fez uma observação interessante de que há um aspecto de “pré-evangelização” e de “pós-evangelização” no repouso no Espírito. Para os não cristãos, ou para os cristãos indiferentes que não prestam obediência ao Senhor, o repouso geralmente abre seus corações para ouvir a palavra de Deus. O aspecto de pós-evangelização do repouso é para aqueles que aceitaram o Senhor e estão produzindo frutos. O repouso os atrai para a oração profunda, intensificando o dom da contemplação. A necessidade de conversão é constante para todos nós.
Em 1967, alguns católicos carismáticos da Universidade de Duquesne permitiram que o Espírito Santo os possuísse e conduzisse. Após receberem o batismo no Espírito e começarem a orar em línguas, puseram em risco a própria reputação ao narrar a história extraordinária a uma Igreja que não aceitava o dom de línguas. O Espírito de Deus, ao conferir dons de impacto, certamente atrai a atenção dos católicos, frios ou quentes. Ele parece estar cativando tanto os fiéis como os infiéis com uma nova espécie de amor.
Definições
Creio que seja útil começar de um ponto elementar, definindo primeiramente o que é “experiência religiosa”. E para os leitores que estão se iniciando no assunto do repouso no Espírito, daremos algumas definições sobre a experiência a partir de diversas perspectivas. Em seguida, abordaremos a diferença entre o repouso “espontâneo” e “ministrado”
Experiência Religosa: consciência de Deus em “nível de sensação e emoção” que gera uma resposta espontânea. É, frequentemente, acompanhada por revelação, inspiração, vozes, visões e conversão.
Repouso no Espírito: experiência que consiste em cair de costas no chão durante uma oração, também algumas vezes chamada de “Dominado no Espírito”, “Cair sob o poder”, “Dormição”, “Morrer no Espírito” ou simplesmente “A bênção”. Ainda que eu prefira chamar essa experiência de “Repouso no Espírito”, haverá uma série de citações que se referem a ele como “Morte ou morrer” no Espírito. Esses termos para nós serão sinônimos.
Não parece haver uma descrição simples do que essa experiência abrange. Em meu livro, Ministério de cura para leigos (4.a ed.) afirmo:
“Parece que enquanto repousamos no Espírito, as nossas funções físicas e psicológicas se desaceleram e a sensibilidade se intensifica no relacionamento com o Senhor…”
Nas definições a seguir, existe certa concordância quanto à submissão, entrega, renúncia ou repouso da atividade e dos sentidos do corpo físico para que Deus possa Se manifestar mais claramente ao íntimo do homem.
Francis MacNutt, em O poder de curar, afirma: “Tanto quanto posso ver, é o poder do Espírito enchendo de tal forma a pessoa com uma consciência íntima muito elevada, que a energia do corpo desfalece a ponto de não poder ficar de pé”.
Pe. George Montague afirma, na revista Catholic Charismatic: ” …a pessoa é dominada por uma profunda sensação de bem-estar que lhe causa um relaxamento momentâneo, a tal ponto que ela cede o controle de seu sistema motor e desmaia ou cai flácida”.
Pe. Ralph DiOrio comenta: “Ele é parte do dom de cura, um toque direto, no mais íntimo do ser, da plenitude do amor e da paz de Deus”.
Morton Kelsey comenta em Discernment: “…geralmente descrevem uma sensação de poder divino ou energia que flui interiormente, que os faz relaxar e cair…”.
Gosto também da descrição simples feita por um pediatra: “Parece ser a evidência exterior da entrega interior que se faz ao Senhor”.
Pe. Ted Dobson prefere separar totalmente o ato de cair da avaliação da causa da queda, e simplesmente se refere à experiência como “o fenômeno da queda”. Referindo-se às variadas descrições, ele afirma: “… Esses nomes só começam a nos dar uma pista do que realmente está acontecendo… faremos referência a ele como ‘o fenômeno da queda’ não só porque a queda no chão é o aspecto comum a todas as diversas formas da experiência, mas também porque é um termo isento de avaliação, pois não pressupõe uma causa para a experiência”.
Pe. Thomas Keating em Open mind, open heart afirma: “… sente-se uma leve interrupção no funcionamento normal dos sentidos e escorrega-se para o chão. Se as pessoas não experimentaram este tipo de oração anteriormente, caem com uma sensação de bem-estar e permanecem deitadas todo o tempo que podem”.
Uma analogia que uso algumas vezes é com o banho de sol. As pessoas simplesmente se estendem ao sol, deixam que ele venha e relaxam. O repouso no Espírito é como deixar que o sol do Espírito Santo penetre no íntimo. Enquanto repousam, terão, em muitos casos um encontro direto com o Senhor. Então, o Senhor realizará muitas curas. Elas sentem o Seu amor, ouvem o Senhor falando com elas e simplesmente repousam em Sua presença.
Mons. Vincent Walsh se refere a essa experiência como uma “dormição”, palavra que sugere “sono” e aponta para certa semelhança com a experiência de êxtase narrada nos escritos dos santos. Mas não se trata de sono. Durante o repouso, permanece a consciência dos outros agindo e falando ao redor; o sono é diferente. A pessoa pode ouvir o que está acontecendo, mas não se importa com nada. Sua energia parece estar canalizada para o Senhor. É como estar completamente absorvido por um programa de televisão em uma sala barulhenta e cheia de gente. A pessoa se concentra na televisão e desliga-se totalmente dos outros. No repouso no Espírito, ela também está profundamente concentrada no Senhor.
Repouso espontâneo e ministrado
Outra definição que poderá ser útil é a que distingue o repouso “espontâneo” do repouso “ministrado”.
Repouso Espontâneo: consiste em cair sob o poder do Espírito Santo sem nenhum intermediário.
Repouso Ministrado (também citado como repouso induzido ou cooperativo): é o repouso que pode acontecer como resultado ou de orações para a remoção de barreiras ao Espírito Santo, ou de música, ensinamento, movimento físico como levantar os braços num gesto de entrega, ou desejo explícito de repousar.
“O Deus, relembraremos a vossa misericórdia, no interior do vosso Templo!” (Sl 47,10).
Fundamentação Bíblica
À medida que entramos em contato com o’ fenômeno do repouso no Espírito, uma das primeiras perguntas é: “Onde podemos encontrá-lo na Escritura?” Há situações paralelas ou semelhantes na Bíblia? Norton Kelsey afirma:
“É óbvio que nos tempos bíblicos não havia nada exatamente similar à uma cerimônia moderna em que as pessoas se dirigem para a frente, são tocadas e caem; por outro lado, há muitas referências no Antigo e no Novo Testamentos a pessoas que caíram diante de Deus e parecem ter sido atingidas pelo Seu Espírito”.
Há referências bíblicas a quedas ante a presença de Deus, tanto voluntárias como involuntárias, em contextos positivos é negativos.
1. Prostração voluntária

a. Em ação de graças. Prostrar-se diante do Deus em adoração e gratidão. Lc 17,15-16, onde o leproso foi curado, é um exemplo. “Um dentre eles; vendo-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e lançou-se aos pés de Jesus com o rosto por terra, agradecendo-lhe.”
b. Em um ímpeto de profunda oração. “Por essa razão eu dobro os joelhos diante do Pai – de quem toma o nome toda família no céu e na terra -, para pedir-lhe que ele conceda, segundo a riqueza da sua glória, que vós sejais fortalecidos em poder pelo seu Espírito no homem interior…” (Ef 3,14-16).
Também em Mt 26,39 , Jesus no Getsêmani “… prostrou-se com o rosto em terra e orou: ‘Meu pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres’ “.
2. Prostração involuntária

a. Conflito espiritual
“No caminho, pelo meio-dia, eu vi, ó rei, vinda do céu e mais brilhante que o sol, uma luz resplandecente ao redor de mim e daqueles que me acompanhavam. Caímos todos por terra, e ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues? …’” (At 26,13-14).
Jr 46,15: “Por que o teu Touro não resistiu? Porque lahweh o derrubou!”
Quando Jesus foi preso, Judas levou os soldados ao Getsêmani:
(Jo 18,4-6) “…Sabendo Jesus tudo o que lhe aconteceria, adiantou-se e lhes disse: ‘A quem procurais?’ Responderam: ‘Jesus o Nazoreu’. Disse-lhes: ‘Sou eu’ … Quando Jesus lhes disse: ‘Sou eu’, recuaram e caíram por terra.”
b. Dominado pela presença de Deus em posição estática
No Antigo Testamento, na dedicação do templo de Salomão (2 Cr 5,13-14): “Cada um dos que tocavam a trombeta ou cantavam, louvavam e celebravam lahweh a uma só voz; elevando a voz ao som das trombetas, dos címbalos e dos instrumentos de acompanhamento, louvavam a lahweh… a Casa se encheu com a Nuvem da glória de Iahweh. Os sacerdotes não puderam continuar o seu serviço por causa da nuvem, pois a glória de lahweh enchia a Casa de Deus’.
Dn 10,8-9: “Fiquei sozinho, pois, a contemplar esta grande visão: não restou força alguma em mim, a bela cor do meu rosto mudou-se em lividez, perdi todo o vigor. Ouvi, então, o som de suas palavras. Ao ouvir o som de suas palavras, desfaleci sobre o meu rosto, meu rosto contra a terra”.
Ez 1,28: “…Tal era o brilho em torno, isto é, uma aparência semelhante à Glória de lahweh. Ao vê-la, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de alguém que falava comigo”.
Ez 43,3: “A aparência que vi era igual à aparência que eu vira quando vim para a destruição da cidade e igual à aparência que eu vira junto ao rio Cobar. Então, prostrei-me com o rosto em terra”.
Ap 1,17: João, em Patmos, foi arrebatado em êxtase, quando viu “alguém semelhante a um filho de Homem”. “Ao vê-lo, caí como morto a seus pés…”
Quando Deus faz com que um homem caia de bruços (ou de costas), por que o faz? Pe. John Hampsch sugere algumas razões prováveis:
“Com Pedro e Paulo, o objetivo era assegurar que aquele que estava recebendo a revelação tivesse um impacto ao perceber o seu envolvimento direto com Deus… Com Daniel, foi para convencê-lo de que a visão e a profecia eram verdadeiras… Em Patmos, João foi dominado quando recebeu a revelação que resultou em um livro completo, o livro do Apocalipse. Com os soldados no sepulcro, Deus demonstra Seu poder dominador. Deus pode fazer com que Seus amigos e Seus inimigos caiam por terra, com diferentes propósitos para cada caso. Em uma oportunidade, demonstra que o poder do homem não sobrepuja o poder de Deus; em outra, com os amigos, é para que o poder de Deus os fortaleça. A ênfase principal deste fenômeno especial está no poder de Deus. At 1,8 diz: ‘Mas o Espírito Santo descerá sobre vós e dele recebereis força’. O poder também foi manifestado através do domínio de Deus, como quando os soldados foram dominados pela presença de Jesus e caíram por terra, no momento em que tentaram prendê-lo. Em outras situações, o poder talvez tenha possibilitado um fortalecimento ao se tomar consciência da natureza e da bondade de Deus… “
“…Jesus, aproximando-se deles, falou: ‘Toda a autoridade Sobre o céu e sobre a terra me foi entregue…’ ” (Mt 28,18).
O objetivo do que se segue é dar uma visão geral e acessível do repouso no Espírito, qual a aparência exterior e qual a sensação de repousar – uma visão externa e interna.

"DEUS PRECISA DE VOCÊ: CHEIO DO ESPÍRITO SANTO!!!"

Sim, Deus precisa de você! Deus precisa de milhares de pessoas cheias do Espírito Santo, em todos os lugares, porque essa é a única maneira de nosso povo ser transformado: a partir de homens e mulheres cheios do Espírito Santo.

Mesmo que não sejam muitos - quer sejam apenas doze, como eram os apóstolos - mas todos cheios do Espírito Santo, crescendo cada vez mais na graça desse batismo. Deus quer e precisa de você e de pessoas batizadas no Espírito Santo.

Aqueles que receberam o Espírito Santo de Deus levem a Sério essa graça. Deus quer renovar essa nação, quer realizar curas, milagres e prodígios, quer pregar sua Palavra. Ele quer transformar pessoas. Por quê? Porque nossa nação não é menos pagã que os povos dos tempos de Paulo, de João, de Filipe. Nessa nação há tanto paganismo como havia em Corinto, em Éfeso, como havia na cidade de Roma, em Cartago... Deus quer renovar a face da terra.

É urgente, porque o Senhor está próximo! "Vamos conhecer, procuremos o conhecimento do Senhor, sua chegada é tão certa como dia de amanhã" (Oséias 6,3). Sua vinda é certa como o sol da manhã; então, esforcemo-nos a conhecer o Senhor.

Para isso, não há outra alternativa: somente através do derramamento do Espírito Santo. Não há outra maneira de levar Jesus aos nossos irmãos, levá-los à conversão, a uma vida nova: somente pelo poder do Espírito Santo. Não há como mudar nossas famílias, para que sejam realmente famílias cristãs, a não ser através do batismo do Espírito! Unicamente pelo poder do Espírito Santo. Esse é o SEGREDO!

Deus, todo poderoso, que pode fazer tudo por si só, escolheu agir por meio de nós. Sua opção foi realizar uma obra conjunta: Ele e nós em verdadeira COOPERAÇÃO.

E possível, portanto perceber a importância de fazermos a parte que nos cabe. Ela é mínima, mas precisa ser feita. Deus precisa de nós. Ele quer usar você, como usou Pedro, Ananias e Paulo (Atos 9, 1-19).

A provisão de Deus e a oferta inigualável do Pai é o Espírito Santo derramado, como aconteceu em Pentecostes, sobre os samaritanos, sobre Saulo, sobre a família de Cornélio. Como aconteceu em Corinto, em Éfeso. Como está acontecendo no mundo. É só ter olhos para ver.

O Senhor quer derramar sobre nós o Espírito Santo como derramou sobre Saulo, mas para isso Ele precisa de alguém, como precisou de Ananias. Ele quer derramar o Espírito Santo sobre nossas famílias como fez na casa de Cornélio, mas para isso Ele precisa de alguém dócil como Pedro. Ele quer derramar o Espírito Santo sobre nossas cidades, com fez em Samaria, porém para isso Ele precisa de alguém como Felipe. Ele quer derramar seu Espírito sobre o Brasil, como aconteceu em Éfeso e Corinto, mas para isso Ele precisa de mim, de você e de pessoas que tendo recebido a graça do batismo no Espírito, levem-no a muitos outros.

Jesus, o "BATIZADOR", quer derramar o Espírito sobre toda a face da terra. E para isso, Ele conta conosco, espera que façamos nossa parte.

A palavra "carisma" vem de "charis", que no grego quer dizer "graça". Portanto, carisma é o derramamento da graça, assim como a chuva é o derramamento da água. Ser carismático, então, equivale a "ser agraciado", ser aquele sobre quem é derramada a graça.

Aquele que recebe o carisma, o derramamento, recebe "o dom do Espírito", ou seja, recebe o presente do Espírito Santo. Dom significa presente. Portanto, não é por mérito que o conseguimos, pois isso não se conquista, é graça. "De graça recebestes, de graça deveis dar!" (Mateus 10,8). Essa é a missão da Igreja.

Se João batizou em água, preparando a primeira vinda de Jesus, nós, Igreja, estamos ministrando o batismo no Espírito Santo, preparando a sua segunda vinda. O povo do Senhor está sedento por isso. Somos uma "voz que clama no deserto", pois é dessa maneira que o mundo se encontra: árido, sedento por ser saciado. Pode-se dizer que a própria Igreja tornou-se um deserto, já que dentro dela há uma multidão de batizados, mas que são ovelhas perdidas, machucadas, confusas, feridas. Caídas no chão, sem rumo. Amarradas, presas, escravizadas.

Para salvá-las, Jesus ofereceu à Igreja uma graça especial: derramou seu Espírito Santo. A grande graça que a Igreja recebe hoje de seu Senhor é poder testemunhar, como os apóstolos, o derramamento do Espírito Santo acontecendo em nossos dias. É ver realizando-se hoje as mesmas maravilhas que a Igreja iniciante presenciou naquele tempo. Quando Pedro pregou pela primeira vez, uma multidão de, no mínimo, três mil pessoas foi atingida (Atos 2, 37-41). 

Pedro foi direto: primeiro, "arrependimento"; segundo, "batismo", depois, recebereis o "dom do Espírito Santo".

Essa é a graça do batismo no Espírito Santo! É essa graça que o Senhor nos envia para que ministremos. O mundo de hoje precisa dela, a Igreja e suas ovelhas também. O que fazemos é somente testemunhar. O próprio João dá o seu testemunho: "Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é ele quem batiza com o Espírito Santo" (João 1,33).

Não somos nós que batizamos no Espírito Santo. Padres e diáconos conferem às pessoas o batismo. Em caso de necessidade, até um leigo pode batizar: o batismo é conferido validamente e a grande graça, acontece. O derramamento do Espírito Santo porém, somente Jesus é quem realiza. Apenas auxiliamos as pessoas a permitirem o recebimento dessa graça. Pedro já explicaria isso no dia de Pentecostes: "E agora, exaltado pela direita de Deus, Ele recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai e derramou, como estais vendo e ouvindo" (Atos 2,33).

Jesus, e só Jesus, é quem batiza no Espírito Santo. É Ele quem o derrama e nos torna "CHEIOS DO ESPÍRITO". O que fazemos é anunciá-lo, declarando esse batismo e ajudando os nossos irmãos a se abrirem a essa graça, preparando-os a receber o Espírito do Senhor. Realizamos a missão da "voz que clama no deserto", e o Messias vem e batiza os seus escolhidos. Ninguém evangeliza sem o poder do Espírito. Foi assim que aconteceu com Filipe e com o perseguidor Saulo, transformado em apóstolo.

O Senhor nos transformou, derramou sobre nós seu Espírito e nos enviou para a missão, mas nosso envio é precedido do Espírito Santo, que Jesus envia à nossa frente. Não vamos sozinhos, recebemos uma missão que não é somente nossa. Ele vai à nossa frente, para que, juntos, numa obra conjunta, numa verdadeira cooperação, realizemos a Vontade do Senhor para os nossos dias: "João batizou com água; vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo" (Atos 1,5).


Autor: Monsenhor Jonas Abib


Obs: Partes de uma reflexão extraída do livro: "O Espírito sopra onde quer", autor: Monsenhor Jonas Abib, Editora: Canção Nova, São Paulo, SP, Brasil, 2010, páginas 89,90,91,92,93,94,95,96,97 e 98. Caso queira adquiri esta obra visite o site da Editora Canção Nova: http://editoracancaonova.com

TERCEIRA TARDE DE LOUVOR COM A MÃE PURÍSSIMA!

"Nós amamos porque primeiro Deus nos amou!" (1Jo 4, 19) Abrimos o mês da Bíblia com a Terceira Tarde de Louvor com a Mãe Puríss...